Confusão federal na inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista

Para quem olha para a cena em busca de significado político eleitoral, dificilmente perceberá o arsenal anti guerra armado pela segurança da guarda pessoal do Bolsonaro. Repare que há um escudo largo defensivo à prova de tiros, disfarçado de maleta a frente, enquanto o segurança nas suas costas, está super atento a tomba-lo a qualquer instante, e se jogar por cima em proteção do corpo do presidente.

Pessoas que estiveram no evento disseram que Bolsonaro estava visivelmente amedrontado, acovardado no evento, depois da repercussão negativa dos recentes ataques racistas que ele fez ao povo nordestino em geral. Antes de sair de Brasília, Bolsonaro fez questão de provocar o governador da Bahia, Rui Costa, pelas redes sociais, a fim de medir os ânimos do temido revanche. (que afinal, não houve).

O chapéu característico teve dois papéis: o de servir de engodo visual em demonstração de afinidade com os costumes da região, e, para disfarçar a atenção ao arsenal bélico presente no palco.

Enfim, sua visita foi muito breve em solo baiano. Boa parte do tempo foi gasto ainda ao pé da escada da aeronave presidencial, a qual estava pronta para sair em disparada. O clima só não foi de confronto, pois, tudo não passou de uma festa particular com maioria de funcionário federais convocados às pressas para o evento que esteve fechado ao público, isolado por tapumes instalados às pressas na véspera. Os demais convidados, eram de funcionários da prefeitura de Vitória da Conquista, convocados pelo prefeito anfitrião Herzem Gusmão Pereira (MDB).

Para que seja bem colocado o pano de fundo na situação política por trás disso tudo, é preciso resgatar a história.

O empreendimento em disputa político eleitoral, é objeto de um empreendimento que começou a mais de 5 anos atrás nos governos de Jaques Vagner e Dilma Rousseff, como plano maior de alavancar a economia de Vitória da Conquista, transformando-a num importante polo comercial e distrito logístico de toda a região do médio centro sul da Bahia. Porém, Bolsonaro, que ainda está em execução do orçamento deixado por Temer, fez questão de bancar o pai da criança. Até ai tudo bem… a população não tem discernimento destas questões operacionais orçamentárias. O que ele não se deu conta, foi de soltar mais uma das suas verborragias desastrosas as vésperas da viagem! O certo é que cerca de 35% do investimento foi custeado pelo governo da Bahia, e o restante, pelo governo federal, com verbas finais, empenhada ainda no governo Temer.

O fato político-estatal que chamou mesmo a atenção, foi a atitude do prefeito de Vitória da Conquista, correndo atrás do governo federal como um esmoler com o pires na mão. Alguns vão dizer – está certo ele, se esmerilhar para conseguir recursos para a cidade…

Convido então aos leitores mais profícuos a adentrarmos no assunto estruturante por trás duma cena desta, cada vez mais comum (gestores subnacionais, se estapeando com o pires na mão a bajular o governo federal em busca de migalhas, num pais que agora a pouco era a sexta economia mundial).

Observem esta reveladora foto de satélite tirada pela NASA, numa alvorada na américa do sul.

Perceba que ás luzes denunciam São Paulo e Brasília como os lugares onde estão concentradas as luzes. Melhor dizendo, as luzes não; ali há uma Concentração generalizada: Espacial, da Riqueza, Fiscal, Orçamentária, Financeira, Produtiva, Comercial, do Crédito, do Consumo, do PIB…

Daí vão defender os rasos – É mérito deles, os paulistas que trabalham muito e assim, obtém sucesso. Ledo engano!

Apenas para enquadramento histórico, em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, pois o ouro e os diamantes passaram a ser escoados pelo porto do RJ, aumentando a sua importância econômica e política. Em 1961, o Rio de Janeiro perdeu o título de Capital Federal para a Cidade de Brasília. Nesta época (1763), a economia brasileira já era o dobro da portuguesa e pareava com a economia americana. Em apenas 70 anos mais tarde, a economia americana já era 15 vezes maior que a brasileira, enquanto divididos nos estapeávamos na disputa ideológica partidária na guerra bipolar do poder, no período conhecido como Café com Leite. (SP e MG que se revezavam no poder central carioca ainda no distrito federal da Guanabara).

Agora repare abaixo, quem e quanto arrecadam no Brasil, os impostos, e em que proporção entre os entes da federação, e, mais à direita, como são gastos os recursos de todos os brasileiros.

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Apenas o governo federal, arrecada sozinho mais de 65% da carga tributária nacional. Enquanto que a 5.570 municípios, restam apenas 7%. Nesta foto fica claro os motivos de Herzem Gusmão, em alisamentos e esfregões costais no “nobre presidente”.

A percepção e indignação é crescente nos estados nordestinos, onde já há registro de movimentos separatistas, tal qual no sul do país, por motivos adversos, porém todos, pela mesma causa: O Falso Pacto Federativo Fiscal.

Não é qualquer um que entende o cerne do juízo Econômico.

A título de exemplo simplório, o Brasil tem funcionado da seguinte forma:

1) Indaiatuba-SP, monta os carros modelo Corola da Toyota e vende para Ipiaú-BA. Em Indaiatuba-SP se paga a maior parte do tributos incidentes. Porém, se Indaiatuba-SP não saiu no prejuízo, eu lhe pergunto: – Quem por fim arcou com a carga tributária incidente sobre o veículo?

2) O tributo arrecadado em Indaiatuba-SP, é enviado a Brasília, que por sua vez, reenvia a Bahia e Ipiaú-BA;

3) Os Indaiatubanos não compreendem e nem se conformam com essa situação aparentemente esdrúxula: Enviar uma fortuna para Brasília, para por fim, ser reenviada a Bahia e Ipiaú-BA? Como assim?

4) Há quem diga que o sul está alugando o intestino do nordeste, para o Brasil não parar.

Perceba que 83% do orçamento de Ipiaú-BA tem origem em transferência do governo federal. E mais de 25% da renda do nordeste vem do INSS e de programas assistenciais do governo federal.

Segundo o professor de Economia da USP, João Sayad, para eliminar as vantagens econômicas e amenizar as diferenças comerciais entre as diversas regiões do país, só há uma forma legal: – a criação de uma moeda para cada região. [Com a devida depreciação cambial, claro!]. Do jeito que vem a coisa… o nordeste continuará se desindustrializando cada vez mais e será uma região completamente dominada economicamente pelo sul-sudeste, restando como reação, servi-las com mão de obra barata, conforme o interesse e momento de convocação e descarte a cada tempo e interesse dos contratantes.

Para os mais astutos, sugiro assistirem aos vídeos abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp