Vídeo do WhatsApp inspira crime, mas polícia frustra ação

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Um adolescente, de 16 anos, corpo franzino e voz mansa, fala e ri sobre as infrações cometidas como se falasse sobre travessuras de criança. Ele confessou que foi apreendido a caminho de um posto de combustíveis onde pretendia roubar um carro tal qual viu em um vídeo pelo WhatsApp.

Ele, Wendel Silva Soares, 19, e Mateus de Jesus Santos, 20, foram capturas por investigadores da 12ª DT (Itapuã), na quinta-feira, 19, em São Cristóvão, quando esperavam um ônibus que os deixasse próximo ao posto de combustíveis, antes do pedágio, no CIA.
Wendel portava um revólver de calibre 32, com uma munição, que seria usado para render a vítima, segundo o investigador Nilson Souza Silva.

“Vi no WhatsApp, um colega que roubava comigo me mostrou. Eu ia cobrar R$ 0,50 para calibrar o pneu e eles dois [Wendel e Mateus] iam se esconder no mato. Quando a pessoa estivesse distraída, a gente ia tomar o carro”, contou o adolescente, com sorriso debochado.
De acordo com o delegado ACM Santos, titular da 12ª DT, o vídeo mencionado pelo adolescente mostra um assalto que ocorreu no estado de São Paulo.

“Ele copiou uma das modalidades de assalto que são postadas no WhatsApp. Infelizmente, eles estão usando essa rede social para o crime”, afirmou ACM Santos.
Wendel e Mateus disseram que essa seria a primeira vez que eles praticariam um crime e só resolveram fazê-lo porque passavam por necessidades em casa.

Dívida de R$ 700
“O ‘menor’ que chamou a gente. Mas a gente não chegou a roubar. Levei a arma, mas era o ‘menor’ que ia dar a voz de assalto. Eu ia dirigir o carro”, afirmou Wendel. “Eu que puxo o bonde”, disse o adolescente.

Ele contou que resolveu roubar um carro para pagar um dívida de R$ 700 em uma ‘boca de fumo’ em Itinga. O plano era vender as peças em São Francisco do Conde.

O menino revelou ter começado a roubar porque queria comprar roupas e celular. “Eu roubava cinquentinhas [motos]. Colocava uma corda na pista e esperava. Quando os caras passavam, eu puxava a corda e eles caíam. Aí eu pegava a moto e saía”, contou ele, em meio a pausas provocadas por risadas infantis.

A Tarde