Sem ação ambiental, país pode ter prejuízo bilionário

Os riscos de perda financeira relacionada à Amazônia, em meio às recentes acusações e ações do governo do presidente Jair Bolsonaro sobre os incêndios na Amazônia, podem gerar prejuízos bilionários ao país.

Reportagem publicada hoje (25) pela Folha aponta que, com a paralisação do Fundo Amazônia, ocorrida após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tentar mudar os mecanismos de gestão do fundo e acusar supostos indícios de irregularidades financeiras em projetos de ONGs, atividades de combate a incêndios podem ser diretamente impactadas.

Até o momento, cerca de US$ 1,3 bilhão em doações foi recebido pelo fundo, com pouco menos da metade do valor já desembolsado. Desse montante, R$ 14 milhões foram destinados ao Ibama, por meio do PrevFogo, e usados para a compra de equipamentos de proteção para os brigadistas e de combate ao fogo, motobombas, mangueiras, reservatórios de água e geradores de energia, além de caminhões e caminhonetes para transportar as equipes.

Outro contrato do fundo, no valor de pouco mais de R$ 19 milhões e que tem como parte a ONG Centro de Trabalho Indigenista, visa exatamente a proteção de povos indígenas isolados, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Órgãos governamentais e governos estaduais e municipais também se beneficiavam do fundo. Os estados amazônicos usaram R$ 359 milhões para implementar o Código Florestal.

O prejuízo, no entanto, não vem apenas da ausência do dinheiro do fundo: o aumento do desmatamento pode impactar futuras negociações no GCF Fundo Verde do Clima, mecanismo regido pelo Acordo de Paris (2015) que permite a países em desenvolvimento captar dinheiro de países ricos para mitigar a emissão de gases-estufa. Com a redução do desmatamento verificada entre 2014 e 2015, o Brasil fechou a primeira negociação nesse âmbito, que prevê o fluxo de US$ 96 milhões para o país. Outra fonte financeira importante que pode deixar de existir é a malha filantrópica nacional e internacional.

Metro 1