Rama Amaral comenta a beleza e importância dos rios que cortam Ipiaú e Dário Meira

Dário Meira e Ipiaú: duas belas cidades! Dois grandes rios!

Quando pensei em escrever este texto fiquei imaginando como seria a introdução. Primeiro pensei em citar a linda canção do saudoso cantor itagiense/dariomeirense, Durval Souto, “As Lavadeiras de Dário Meira”, que naturalmente já é um hino em homenagem ao Rio Gongogi, as lavadeiras de roupas e a Dário Meira. Mas aí a controvérsia me repreendeu, pois não sei nada sobre o que há de escrito em homenagem ao Rio das Contas, embora acredito que há muita coisa.

Diante da situação lembrei-me de um poema do meu livro, O Rio e a Criança, que diz que “O rio nasce de dentro da terra, como uma criança que sai do útero da mãe, o rio é pingo de lágrimas de uma força universal, a criança é gota de água dos mistérios da vida…” E o que isso explica? Pode perguntar o leitor. Ora, vez por outra pode agradar dois senhores de uma vez só, depende do caso, afinal, são duas majestades, por isso procurei fazer justiça, já que como um pingo de água que é minúsculo, todos os rios ou riachos, nascem pequenos e de dentro da terra, depois vão crescendo, crescendo… até se tornarem gigantes.

Juntos, essas duas majestades banham 19 cidades e mais de 500 mil pessoas nos seus percursos, que somam quilômetros até sua foz, no município de Itacaré, onde desaparecem no grande oceano Atlântico, neste caso apenas o Rio das Contas chega ao oceano, o Rio Gongogi deixa de existir no município de Aurelino Leal, onde se mistura ao Rio das Contas.

E o que há de surpreendente nisso? Pode perguntar outro leitor. Bem, acredito que seja imprescindível dizer que quando esses rios estão cheios , apesar do sofrimento de muitas pessoas, eles promovem inesquecíveis espetáculos, alegrias e muitas esperanças nas vidas de todos que deles necessitam para sobreviverem.
São os rios, quando magros, mansos; quando cheios, violentos; protagonistas absolutos nos seus respectivos leitos. São esses senhores que lambem e limpam toda podridão por onde passam, levam consigo toda barreira ou sujeira excretada por milhares de pessoas que, às vezes, pouco se importam com a boa convivência, com a cidade ou com a própria natureza. São os rios que dão sobrevivência e dignidade a centenas de pescadores. São os rios que irrigam fazendas, matam a sede de tantos seres vivos. São os rios que fazem fortunas para poucas pessoas, que, consciente ou inconscientemente muito os exploram para obterem lucros exorbitantes, à ignorância de trabalhadores necessitados.

Contudo, é sabido que há angústias e lutos das populações, sejam elas ribeirinhas ou das cidades, principalmente quando não respeitam a natureza, os rios… Estes quando cheios, também não respeitam nada e nem ninguém, e não adianta lamentar, chorar, gritar… Pois quem estiver no seu caminho desce rio abaixo como descem as baronesas, como descem os galhos de madeiras, como descem os animais, como descem peixes, como descem pessoas…

Enfim, o Rio Gongogi que banha Dário Meira e o Rio das Contas que passa por Ipiaú, são contidos por água e oxigênio, portanto são essenciais à vida! São belos, nobres, democráticos e vitais à saúde. Assim também são essas duas cidades.

Idem, se os rios abraçam, alimentam e amamentam tantas pessoas que deles se satisfazem e neles se banham, as cidades recebem e hospedam todos que nelas chegam, mas tanto os rios quanto as cidades precisam ser preservadas, e isso começa com educação, colaboração, compreensão e respeito. E quanto ao respeito, as pessoas precisam terem por si mesmas, por onde, também, passam rios internos.

Rama Amaral
É um rabiscador brasileiro, nascido na zona rural do município de Dário Meira, Bahia. Autor do livro, O Rio e a Criança, Cia do eBook,. Foi membro do Greepeace por mais 15 anos e foi também filiado ao PAPAMEL.