Opinião José Américo: Prédio histórico demolido na quietude da tarde de sábado

Foram rápido no gatilho. Enquanto a polemica ganhava fervor no Facebook e outras redes sociais, aproveitaram a calorenta e pouco movimentada tarde desse sábado, 29 de dezembro de 2018, para demolir o prédio histórico que se encontrava no centro da Praça Virgilio Damásio, em Ipiaú,.

 Maquina pesada, parecida a um tiranossauro rex metálico,  foi utilizada no serviço.

 No local será construído um centro comercial com lojas no térreo e Coworking (escritórios compartilhados) no primeiro andar, com acessibilidade e melhoria dos entornos das calçadas preparadas para deficientes físicos e visuais.

 Lamento dos saudosistas, euforia dos futuristas. Cidade perdendo referencias do seu passado, nada mais a fazer. “mesmo que haja desencanto é preciso crescer”. Diriam, dizem.

 O saudoso prédio foi adquirido pelo casal de dentistas Marcos Limonge e Patrícia Bastos no início deste ano. Eles informaram que após avaliação de dois engenheiros constatou-se que o imóvel estava condenado, mas não disseram se havia pretensão em restaurá-lo.

 Fazer o que? Não era tombado como patrimônio histórico, estava vulnerável, à mercê de algo assim.

 A nova obra será financiada pelo Banco do Nordeste e está com toda a documentação e liberação autorizada pelos órgãos competentes.

Os novos proprietários informaram que o prédio de propriedade privada nunca foi apontado com valor histórico, nem sequer mencionado para tombamento.

 Haveremos de concordar com esse ultimo argumento, mas discordamos inteiramente quanto à afirmativa de não ter sido apontado como valor histórico. Os próprios comentários veiculados em postagem anterior davam conta do valor histórico que muitos ipiaúenses reconheciam nele.

Patrimônio Histórico pode ser definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade.

O prédio demolido tinha alguns destes requisitos e, portanto tinha valor histórico.

 O prédio a ser construído poderá um dia, décadas adiante, ter o seu valor histórico. Futuras gerações haverão de lamentar e protestar contra a sua demolição para dar lugar a algo mais novo.

 Historia é historia não se sonega.

 O imóvel demolido foi construído por Dorgival Castro, filho de Domingos Castro, um dos fundadores de Ipiaú. Quando da sua inauguração, na década de 1940, seu estilo arquitetônico foi alvo de elogios, pela modernidade apresentada.

 O imóvel a ser construído, no ano vindouro de 2019, pela odontologa Patricia, neta de seu Edward Bastos de Oliveira, saudoso cidadão ipiaúense que relevantes serviços prestou a esta terra, será alvo de muitos elogios e cumprirá sua função social. Iniciando uma nova etapa na historia do espaço.

 Historia é historia não se contesta.

 O Tiranossauro Rex Metálico fez rápido, muito rápido, o serviço que lhe programaram. Nessa ultima tarde de sábado do fatídico ano de 2018, demoliu tudo. Deixou a historia em escombros que logo foram removidos. Saudades…

 O Muro de Berlim também foi demolido, as Muralhas de Jericó também , o Museu Nacional virou cinzas. O tempo não para!

 FELIZ ANO NOVO.

 José Américo Castro é jornalista