Opinião Elson Andrade: Reforma da Previdência, a volta

Aposentadoria Capitalizada… não seja um tolo, faça você mesmo a sua, com vantagens de até 4 vezes mais que a do governo/INSS! E afaste-se definitivamente das consequências catastróficas dos Riscos econômico-financeiro, ideológico, tão infindável e incerto, quanto malandro, servil e traiçoeiro.

O governo federal encaminhou esta semana ao Congresso Nacional a “sua proposta” de reforma da Previdência. A meta real é institucionalizar o sistema de capitalização terceirizado, reduzir os gastos do governo com o pagamento de aposentadorias, e por fim, carrear recursos adicionais, em cerca de R$ 1,2 trilhões, nos próximos dez anos, para o pagamento de juros.

Politicamente, a justificativa e slogan da campanha, vão dizer maciçamente que a questão é de saúde das finanças públicas e equilíbrio fiscal. Temos que rever esta qüestão ai, tá ok? Esperançoso discurso moral, se não fosse dissimulado, traiçoeiro e raso.

Como muitos já desconfiavam, a velha e manjada encomenda original do mercado financeiro, que em verdade quer concentrar, destinar e explorar vultosos recursos alheios, de longo prazo, de baixo custo, a disposição do mercado de capitais, que ao invés de pagar por esta captação e uso; ao contrário, vão até receber pela sua exploração… ou “gestão”, como tentarão impregnar versão.

A primeira pergunta que se faz é: – das costas de quem vai sair esses R$ 1,2 trilhões… já que não há dúvidas que esses recursos tem como destino o mercado de capitais, o pagamento dos crescentes e “impagáveis” juros e a ciranda financeira nos cassinos paulistanos.

A história concreta política a séculos praticada por esse lado de baixo do equador, não deixa dúvidas, de quem vai pôr fim arcar com esta conta.

Questão do Emem: Baseado nas experiências governamentais passadas, quem vai pôr fim, arcar com o déficit da previdência?

(  ) Os beneficiários dos cerca de R$ 500 bilhões/ano destinado ao pagamento de juros e contenção do câmbio;

(  ) Absorção dos recursos economizados, mediante combate a corrupção, maior eficiência dos gastos do governo e da própria máquina estatal ensimesmada;

(  ) A redução das aposentadorias astronômicas dos políticos, magistrados e funcionários públicos, em especial os federais;

(  ) A redução das “aposentadorias” dos ociosos de sombra; os militares, em especial, os das Forças Armadas Nacional;

(  ) O lombo dos Mono assalariados, os aposentados Rurais e os beneficiários do BPC/LOAS, em especial os nordestinos.

Como bem sabemos, a proposta não é necessariamente deste ou daquele governo. Mas sim, deste ou daquele lado da mesa, no jogo velado, socioeconômico, antropológico a brasiliana…

É óbvio que logo logo, os sabichões, “especialistas”, “economistas” de infantaria de plantão da TV, em especial os papagaios disseminadores de medo e ódio, ditadores da versão “vencedora” imposta pela grande mídia e redes sociais de aluguel, vão logo retrucar: – “isto é uma questão nacional, de equacionamento e sustentabilidade das contas públicas…”

S.Q.N. ou melhor, esse não é o objetivo principal e verdadeiro!

Se é para proteger os retardatários militares e entregar a nossa poupança para Bancos e Assets “gestoras”, com a tal CAPITALIZAÇÃO, até então escondida atrás das moitas e lapso do texto corrente da reforma… Façamos nós mesmos, inteligentemente, nossas próprias aposentadorias, com custo estupidamente MENOR e ganho saudavelmente MAIOR. Tal qual já fazem os japoneses, alemães, americanos, entre outros povos desenvolvidos. Confira a comparação a seguir.

Bom… se você estiver desprovido do atual feitiço ideológico e tem condições cognitivas de acompanhar os cálculos matemáticos (financeiros), favor considerar a demonstração abaixo, para a hipótese de você mesmo constituir e gerir a sua própria poupança destinada a sua aposentadoria. Acompanhe!

Imagine que você receba hoje um salário nominal R$ 2.000,00/mês registrado em carteira (CLT).

Conforme demostrado abaixo, você acaba custando por fim, ao seu empregador R$ 4.355,60/mês. Vide demonstração dos custos reais finais no quadro de composição de Encargos “Sociais”, abaixo.

Fonte: Tabela de Encargos Sociais C.C. – CEF

Sendo assim, você receberá líquido apenas, cerca de 85% do salário nominal, dado que virá descontado INSS, Sindicato, Vale Transporte… ou seja, terá líquido cerca de R$ 1.700,00/mês e custando ao seu empregador R$ 4.355,60/mês, ou 2,56 vezes o que apura líquido mensalmente. Salve-se. Urge livrar-se de tamanha carga mordaz.

No entanto, se você trabalhasse como Pessoa Jurídica (Micro Empreendedor Individual) e cobrasse pelo mesmo serviço, R$ 4.355,60, não faria diferença ao seu contratante, pelo ponto de vista de custo total.

Então imagine que a diferença (economia), descontada: transporte, alimentação, seguro de vida, 8% para reserva de emergência e 1/12 para poder tirar um mês de férias por ano, impostos sobre a nota de serviço… ainda lhe sobrariam R$ 3.200,00/mês. Repare que nesta condição você teria garantido o seu próprio FTGS, férias, seguro… tudo sem infração a lei, inclusive. Logo, a diferença seria de R$ 1.500,00/mês, a qual deverá formar sua poupança para a aposentadoria.

Abaixo quadro comparativo, das diversas opções que você poderá ter como aplicação financeira. Perceba que a Caderneta de Poupança e Fundo DI, estão na lanterninha. (P.S. considerado 3,73% a.a. de inflação).

Fonte: Site B3 (simulação) https://simulador.tesourodireto.com.br/#/inicio

Se R$ 1.500,00/mês forem aplicado mensalmente durante 35 anos (tempo mínimo exigido para nova aposentadoria – comparativamente), a uma taxa de 6,5% a.a. (Selic – taxa básica de juros atual – pós fixado – descontada inflação no patamar atual), mesmo que descontado no final o imposto de renda da Pessoa Física (PF)… seu saldo líquido final seria de R$ 1.112.947,64 (um milhão cento e doze mil, novecentos e quarenta e sete reais e dezessete centavos) líquido de IRPF.

Com um salário deste, (R$ 2.000,00/mês) a probabilidade é que você se aposente recebendo 13 salários por ano por volta de R$ 1.678,79/mês do INSS, pela regra nova (caso seja aprovada como está proposta). Comparativamente, se você próprio administrasse seus recursos, você teria garantido ao menos 51 anos de sobrevida, sacado no ato da aposentadoria! Se for sacando R$ 1.678,79/mês a mês, tal qual no INSS, a vantagem será ainda maior.

Enquanto que se você deixar o “governo” administrar a sua poupança durante todo este tempo, entregue a Fundos de Pensão administrado por Bancos e Assets… há grande chance de você receber ao se aposentar, se receber, cerca de metade de um salário mínimo, tal qual está sendo o caso do Chile (país que adotou na década de 1980, sistema e ideologia similares).

Porém se você souber bem administrar esses recursos aplicando-os em títulos públicos no sistema Tesouro Direto prefixado IPCA+2045, por exemplo, junto ao próprio governo federal B3/STN, o seu patrimônio poderá atingir, R$ 1.965.038,20 (bruto, considerado taxa de juros real – descontado inflação a nível atual).

Cabe lembrar, que se a tal reforma não mudar as regras atuais para as MEIs, e o INSS ainda existir, saldável; lá na frente, na condição de MEI, você ainda terá direto a receber um salário mínimo de aposentadoria!

Bem… espero ter ficado claro o exemplo da hipótese avençada. Se não, repasse-o vagarosa e inúmeras vezes.

Porém as perguntas que ainda ficaram são:

1.     Se você for esperto(a) o suficiente para ir para o outro lado da mesa, (recebedor de juros), quem eles (a mão invisível) vão arrumar substitutivamente para ser o otário da vez, que vai dar o suor e sangue para pagar os juros que você e eles vão receber?

2.     Se você não for mais, quem continuará arcando com o sistema previdenciário atual… de onde virão os recursos para pagar os atuais aposentados? #Paulo Guedes, FGTS é recurso pessoal, fica a dica!

3.     O que teria acontecido consigo se nunca lhe tivessem arrancado as rodinhas da bicicleta da infância?

4.     Você sabia porque a maioria da força de trabalho, formal via CLT, hoje no Brasil, já é menor que a informal e/ou autônoma?

5.     Você tem consciência que se for trabalhar substitutivamente, como PJ/MEI, deverá cobrar cerca de 2,56 vezes o vencimento líquido, comparativamente, antes recebido quando sob o regime CLT, para não perder rendimento, e ainda custar a mesma coisa ao seu tomador do serviço?

6.     Você acredita mesmo que tem gente/partes querendo lhe proteger dos interesses e malandragem de outrem, ou dos próprios? (falsos mediadores).

7. Você sabe porque o texto da proposta dos militares ficou para depois e em separado?

8. Você sabe porque o texto da proposta da CAPITALIZAÇÃO financeira, ficou para depois e em separado?

9. Você acredita que exista essencialmente, uma promiscuidade permanente, velada, entre a cúpula do governo federal (Banco Central, Ministério da Fazenda e Ministério do Planejamento) e os agentes particulares do mercado financeiro, nacional e internacional, em especial os bancos?

10.  Você acredita que as pessoas exploradas, asseclas apaixonadas, vão lhe ouvir/seguir, se você quiser convencê-las do que aprendeu aqui, ou é melhor; Já ir providenciando sua recomposição estratégica?

Penso que se os trabalhadores Celetistas, continuarem sendo tratados como parte hipossuficiente (débil), o governo, a custosa e pomposa justiça do trabalho, os advogados carniceiros e os sindicatos, continuarão ganhando muito dos dois lados (patrão e empregados – partes realmente produtivas) malandramente, posando falsamente de super-heróis cativos.

Caso os agentes financeiro corporativos entrem na briga… será mais um para mamar. E desta vez, o estrago vai ser grande e caro, enh!

Visite o site do Tesouro Direto e estude tudo meticulosamente em:

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como reflexão complementar a leitura.


Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicam


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