Óleo é encontrado nos aparelhos digestivos e respiratórios de peixes e crustáceos da Bahia

Uma análise realizada por pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, e divulgada na semana passada, revelou a presença de óleo nos aparelhos digestivos e respiratórios de 38 animais, entre eles, peixes, moluscos e crustáceos.

As amostras foram coletadas em Praia do Forte, Itacimirim e Guarajuba. Francisco Kelmo, professor responsável pela pesquisa e diretor do instituto, explica que ao chegar na costa, o petróleo se fixa em rochedos e manguezais. Então, os animais chamado ‘filtradores’, que estão ali próximos, filtram a água do mar e acabam absorvendo essas substâncias em seu sistema respiratório.

“Pela cadeia alimentar, essas substâncias são transferidas para nós (seres humanos), o que é algo extremamente perigoso”, disse o especialista, em entrevista ao jornal Estadão.

Apesar de o governo federal dizer que não há problemas com a ingestão de peixes e frutos do mar nas áreas afetadas pelo derramamento de petróleo no litoral nordestino – inclusive o Ministério da Agricultura voltou atrás e cancelou a proibição da pesca de camarão e lagosta –, Kelmo recomenda que os moradores e turistas evitem comer peixes, mariscos, siris, caranguejos, camarão, polvo, mexilhões e ostras, provenientes das praias que apresentaram manchas de óleo.

Em um primeiro momento, o consumo desses alimentos contaminados pode provocar náuseas, vômitos, enjoos e problemas respiratórios. Todavia, a longo prazo, a substância pode ficar depositada no organismo humano e os efeitos podem ser mais graves.

Degradação do óleo e seus componentes tóxicos é muito lenta
Em entrevista concedida na semana passada, ao Conexão Planeta, o biólogo Luís de Lima alertou que “a contaminação em manguezais e corais poderá durar muitos e muitos anos”, e também, que era essencial que fossem realizados testes para verificar se os peixes foram contaminados pelo petróleo.

Lima destaca que os hidrocarbonetos (compostos orgânicos presentes no petróleo), como benzeno, vão sendo liberados lentamente, até serem totalmente degradados. Toda a fauna que estiver exposta a isso também é contaminada. E isso pode levar muitos e muitos anos, porque a degradação do petróleo é bastante lenta.

“Lagosta e camarão, por exemplo, são animais de fundo (que vivem no fundo dos oceanos). Logo após um vazamento, o petróleo tende a flutuar. Mas com o passar do tempo, partículas vão se juntando a ele, que fica mais denso e a tendência é se depositar no fundo, como já foi observado próximo a recifes de coral”, diz. Com isso, esses animais estão mais propensos a entrar em contato com o óleo.

Segundo o mais recente levantamento, divulgado em 30/10, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), já são 283 praias afetadas pelas manchas de petróleo cru, em 98 municípios, dos nove estados do Nordeste.

G1