O Paradoxo da Composição – A Parte versus o Todo e a importância dum projeto verdadeiramente socioeconômico inteligente

Antes de mais nada, quais as considerações do que vem a ser paradoxo?

Paradoxo, trata-se de uma figura de linguagem que “funde” (ou confunde propositadamente) conceitos opostos num mesmo enunciado. Desse modo, o paradoxo pode ser descrito como a expressão de uma ideia aparentemente lógica, no entanto, e enfim, carreada do emprego de termos opostos e conflitantes entre si.

Segue o debate, ainda sem conclusão, na Wikipédia (maior biblioteca da rede mundial de computadores): – Qual a importância, implicância e consequência, da parte no todo? Há um paradoxo aí?

Em primeiro lugar, cabe destacar que Composição é uma falácia que insiste em afirmar, que o Todo possui a mesma propriedade da Parte, e portanto, não passa da soma algébrica destas. E o raciocínio inverso, seria a sua simples divisão.

Entenda a estrutura lógica neural em questão.

A é composto de partes de B.

B tem características de X.

Logo, A tem características de X?

Exemplo: – As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é constituído de células, também não tem consciência?

Repare que a frase ignora que o cérebro como um todo, possui propriedades resultantes diferentes de suas células individualmente, somadas. – A instituição religiosa tem membros corruptos, logo, a instituição religiosa é toda corrupta?

O cerne da questão é: – As políticas progressistas tem agentes dirigentes corruptos e parasitas, logo, a política progressista só serve para falcatruas e aos dirigentes corruptos e parasitas?

Há truísmo nesta afirmativa em epígrafe?

São questões paradoxais que nos induz equivocadamente a erros generalistas inconsequentes, dado que a resolução do enigma, passa pelo entendimento da TRANSUBSTANCIAÇÃO da Parte, na composição do Todo.

Aquilo que interessa isoladamente à parte, pode fazer mal consequentemente ao todo-composto?

Mais grave ainda… Quais as consequências da falta de uma ordem (projeto/sentido) capaz de juntar as partes na formação dum todo? (Um país e/ou nação por exemplo).

Em tempos de pandemia na saúde, e PANdemônio na política nacional, “nunca” foi tão claro a compreensão da transubstanciação da parte no todo, quando o veneno do ódio espalhado vem dissolvendo o todo, deixando mais fácil a manipulação das partes.

Nas economias locais, o raciocínio não é diferente. Por exemplo, ao você decidir comprar um produto forasteiro via e-commerce (internet) mais barato ao invés de prestigiar o comércio da sua cidade, a vantagem individual pode lhe ser aparentemente benéfica num primeiro momento. No entanto, as consequências são devastadoras à economia local, dado a importância do fator de multiplicação da renda e do trabalho, nos comércios locais.

Um exemplo claro disto, são os mais importantes recursos injetados na economia de pequenas cidades (Ipiaú por exemplo), vindos do INSS e do Bolsa Família, muito superiores aqueles originários do cacau… Se a população assistida por estes importantes instrumentos da Seguridade Social, por consequência do isolamento social (Covid-19) e do comércio fechado, começarem a comprar cada vez mais pela internet e portanto, gastarem sua renda, rapidamente remetendo-a para fora do município, por interesse particular, tal qual fizeram os antigos e falidos fazendeiros boêmios do cacau; a economia local, vai consequentemente definhar, tal qual, a derrocada da cacauicultura como economia e cultura socioeconômica exclusivista resultou.

Fazendo um parêntese, hoje Ipiaú é sem dúvida uma ECONOMIA REBOCADA (afirmativa com base em dados oficiais), aposentada via recursos públicos federal (82%) e complementarmente (embora muito menor) por recursos públicos vindos do governo do estado (11%) e apenas 7% tem origem em impostos e contribuições municipal.

O fato de individualmente querermos levar vantagem em tudo, onde, pirão pouco, o meu primeiro; tem nos levado a uma Renda Média, de um ipiauense, a cerca de 75% abaixo da renda Média Nacional. Isso não se deu atoa! É fruto da nossa ação ou omissão. Sim, é consequência das nossas crenças, decisões e posturas individuais diante do paradoxo da composição do conjunto da sociedade econômica resultante.

O poder público, a economia, a sociedade… não é mera soma dos indivíduos! É fundamental ter um projeto de economia, cultura e sociedade.

A parte precisa ter uma visão, intensão e propósito do todo, servindo-lhe com suas melhores práticas e características contributivas. INTELIGÊNCIA e PROPÓSITOS COLETIVOS.

O Câncer se dá pelo desarranjo celular, capaz de levar a óbito o corpo. Se já sabemos qual célula está nos fazendo mal, por que não a eliminamos em substituição?

Há uma mágica que os mais egoístas ainda não perceberam o quanto estão perdendo em não participar de um projeto dotado de inteligência coletiva, ao invés de insistirem em devoção a ideologias raivosas, abstratas, furadas, imbecis e forasteiras.  Enfim… a sabedoria é: Um pouco com Deus é muito. Muito sem Deus é NADA. Deus não é a parte, Deus é o todo!

O Egoísmo é uma doença individual de graves consequências psicossocial e econômicas graves. Precisa ser tratada!

A pergunta que deixo é: Qual foi a nação que prosperou sustentavelmente, plantando o ódio e a desunião entre seus indivíduos (filhos-partes)?

Para os mais astutos, sugiro assistirem aos vídeos abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.