José Carlos Britto de Lacerda reflete sobre a dignidade humana

Comecemos uma pequena “dissecação” deste substantivo classificado, no Português do Brasil, como “comum” porque, segundo os especialistas, não designa uma pessoa, um acidente geográfico, uma divindade, uma cidade, um estado, um país. Por isto, a regra geral não o
coloca entre aqueles que devam iniciar-se com letra maiúscula.

Todavia eu, parece que apenas eu, entendo que este substantivo deveria ser escrito não apenas com o inicial, mas com todas as suas letras, maiúsculas.

Na Bíblia Sagrada, na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, o missivista escreveu que “digno é o obreiro do seu salário”. Significa que o trabalho, por mais humilde, por mais ou menos árduo, gera o merecimento à retribuição, produz a dignidade que faz o obreiro merecedor.

Dignidade é pois, um estado de alma, uma faculdade que se irradia da pessoa que a possui e a faz “diferente” das demais, mas não a faz arrogante, “posuda”, inconveniente, intrometida, convencida, moralista nem pretensiosa.

Tenho lido publicações de pensamentos de grandes nomes da História, entre os quais Mahatma Gandi, Winston Churchill, Descartes, Apostolo Paulo, Indira Ghandi, Sócrates, Platão e alguns outros e, em nenhum texto atribuído a qualquer deles, encontrei uma definição e uma
informação quanto à aquisição da e de “DIGNIDADE”.

E foi por isto que, meditando e revendo comportamentos de pessoas que têm vivido próximas a mim, acabei concluindo que “dignidade não nasce na cor da pele, não é ensinada nas escolas, não é negociada nos mercados, não é adquirida com títulos, mas desce (vem) do Céu como dom da Alma, impressa no ser desde antes do nascimento”. Entre nós, ela pode ser aperfeiçoada, jamais criada. Pode até ser fingida, utilizada como “capa”, que não resistirá às lutas da existência.

José Carlos Britto de Lacerda é advogado