Jornalista Renato Araujo faz comentário comovente sobre o significado do Natal

O aniversário do meu amigo

Quando eu era budista, certa vez, discutimos se deveríamos comemorar ou não o Natal. Então eu, que era o novato do grupo, dei a resposta que mais agradaria ao próprio Buda:

– Claro que eu vou comemorar. O mundo já é tão bruto, tão sem amor. Então um dia do ano as pessoas escolhem para serem mais amorosas, mais gentis, terem mais compaixão e eu vou deixar de participar? Não, eu vou comemorar o Natal sim.

É verdade que o Natal é apenas a data que marca o solstício, que Jesus não nasceu em um 25 de dezembro, que a árvore de natal é uma tradição pagã. Teríamos todos os motivos do mundo, budistas ou evangélicos, ateus ou cristãos, para não comemorar o natal.

Mas ele foi associado para sempre a um homem que representa o bem, a paz, a temperança, a humildade, a gentileza e a justiça. Tudo que faz o Natal ter sentido. Ainda que muitos de seus discípulos não o honrem, Jesus ainda é o cara.

E eu posso chamá-lo assim, com toda a intimidade, porque Ele mesmo me permitiu, lá nos Evangelhos. Ele disse que quem o segue – ou tenta seguir, como é o meu caso – é seu amigo e não apenas um discípulo.

Jesus é legal, Jesus é massa, Jesus é meu amigo. E este meu amigo, sim, está associado ao dia de Natal.

Vamos fazer que nem Jesus. Vamos esquecer as desculpas para não sermos fraternais uns com os outros. Hoje é dia do crente abraçar o macumbeiro, do bolsonarista abraçar o lulista, do hétero abraçar o gay, do branco abraçar o negro e vice-versa.

Amanhã, que esqueçamos nossas semelhanças e voltemos a lembrar mais de nossas diferenças. Mas hoje não. Hoje lembremos apenas da mensagem essencial do Homem de Nazaré: “Paz na Terra aos seres humanos que assim desejarem” Só depende de nós.

Feliz Natal!

Renato Araujo é jornalista