JAC perde terreno, mas garante fábrica na Bahia

jacA JAC Motors do Brasil assegurou, nesta terça-feira, 3, a manutenção do projeto redimensionado para a montagem de automóveis utilitários do modelo T-5 no Polo de Camaçari. A publicação de portaria do governo do estado, por meio da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), cedendo para outro empreendimento (Cimatec Industrial) o terreno que, originalmente, era da montadora chinesa, acabou gerando especulação de que a empresa havia desistido de seu projeto no estado.

“Ao contrário, vamos iniciar as instalações do nosso maquinário e do processo de capacitação de pessoal no segundo semestre deste ano, visando começar a produzir ainda no primeiro trimestre do ano que vem”, afirmou Eduardo Pincingher, diretor de assuntos corporativos da montadora no Brasil. No novo projeto, o investimento de R$ 1 bilhão caiu para R$ 200 milhões, com capacidade de produção de 20 mil veículos/ano, contra os 100 mil de antes.

Carro enterrado
Sobre as intervenções que já haviam sido feitas no terreno, nem a JAC, nem a Sudic e nem mesmo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), responsável pelo projeto do Cimatec Industrial, informaram se houve algum tipo de compensação entre as partes envolvidas para permitir a nova destinação do terreno. A JAC chegou a fazer a terraplanagem, por meio de contrato com a Construtora Andrade Mendonça, além de ter enterrado no local um carro zero-quilômetro, como ato simbólico da vinda da empresa para a Bahia.

“A única coisa que posso dizer é que o governo do estado não poderia, diante da demora da efetivação do projeto da JAC, deixar de viabilizar a implantação do Cimatec Industrial, num terreno com as dimensões apropriadas para a grandiosidade da proposta, que vai gerar benefícios para as indústrias já instaladas no Polo, além de se tornar um importante diferencial para atrair novos empreendimentos para o estado”, disse o diretor-superintendente da Sudic, Jairo Vaz.

De acordo com a portaria da Sudic, foram cedidos, a princípio, para o Cimatec Industrial quatro milhões de metros quadrados, do total de seis milhões de metros quadrados antes destinados à JAC Motors. “É um projeto que prevê expansão em cinco etapas de implantação em mais de 15 anos, partindo de um investimento inicial de R$ 80 milhões que pode chegar a R$ 500 milhões ao longo do período”, explicou o presidente da Fieb, Antônio Ricardo Alban.

Manufatura avançada
“Trata-se de um condomínio industrial de base tecnológica para manufatura avançada, que vai funcionar de forma integrada com um centro de pesquisa, aproveitando o exemplo de sucesso atual do Cimatec”, completou Alban. Originalmente concebido para atuar como um centro técnico de manufatura e tecnologia, o Cimatec ganhou projeção como instituto de pesquisa e desenvolvimento, inclusive de ensino superior.

A unidade industrial no Polo contará com laboratórios, centros de pesquisa e capacitação, além de plantas-piloto para abrigar projetos das indústrias, inclusive com pistas de teste para os setores automotivo e de aviação. Já o novo projeto da JAC será adaptado para funcionar em um galpão, já alugado pelo grupo SHC, do empresário Sérgio Habib. O número total de empregos previstos ainda não foi projetado, assim como no empreendimento do Cimatec.

A Tarde