Ipiaú volta ao que era antes da Mirabela. Com endividados e desempregados a mais

ipiauentradaComo temos comentado desde o ano passado aqui, a situação econômica de Ipiaú é no mínimo preocupante após a paralisação do projeto Santa Rita de Mineração, principal fonte de divisas do município e região.

Enquanto para Itagibá o resultado direto foi a paralisação do governo Marquinhos, para Ipiaú o fim das atividades da Mirabela, a qual dizem ser provisório, tem gerado o desmonte de um castelo de cartas, formado por empresas que se estabeleceram aqui em busca do lucro gerado pelos gastos de funcionários ligados à mineração.

Com tudo isso, estamos vendo lentamente a cidade voltar a ser como era antes: dependente da lavoura cacaueira, da prefeitura e do comércio. Não exatamente, já que contamos agora com o acréscimo de endividados em milhões de reais e desempregados em milhares de pessoas. A situação, como temos alertado frequentemente, tende a se agravar com o fim do prazo de pagamento do seguro desemprego dos demitidos da Mirabela, que deve estar chegando em junho ou julho. O dinheiro do seguro desemprego, bem ou mal, ainda irriga o caixa das lojas.

O que mostra ser o que os economistas chamam de “tempestade perfeita” em Ipiaú é a soma desse vendaval à outro furacão, a crise em nível nacional e, como se já não bastasse, a seca. Com a estiagem, a cacauicultura, que poderia socorrer a região nesses tempos difíceis, não deverá produzir uma boa lavoura este ano. Para piorar, a seca também tem levado ao aumento no preço de vários alimentos hortifrutigranjeiros.

Em nossa modesta opinião, a saída é a diversificação, a atração de novos investimentos. A caça por novos investidores é comum em cidades do interior do Brasil nas quais gestores tem visão de futuro para o seu povo. Estes novos geradores de emprego bem poderiam ser goianos, parananeses, cearenses ou chineses – mas eles não descobririam Ipiaú sem a divulgação adequada de um projeto para trazer novas empresas, industriais ou agricolas.

Ipiaú é bem situada, tem rios perenes, próximo ao futuro Porto de Ilhéus, margeada pela futura ferrovia Oeste-Leste, seria um ponto ideal para novos empreendimentos, especialmente com isenção de impostos e cessão de terrenos públicos como incentivo.

Algo precisa ser feito. Chorar sobre o leite derramado não basta.

Celso Rommel / Ipiaú on Line