Internações e mortes voltam a crescer no Brasil; Covid dá sinais de crescimento

Foto: Marcelo Casal JS/ Agência Brasil

Após dois meses de quase no número de novos casos e mortes por Covid-19, o Brasil volta a apresentar sinais de recrudescimento e desperta a preocupação dos especialistas. Nas últimas duas semanas, a quantidade de óbitos por síndrome respiratória aguda (SRAG), quadro compatível aos sintomas da doença, voltaram a subir.

Estudos da Fiocruz e do Observatório Covid-19 mostram ainda que as internações em hospitais e unidades de saúde também voltaram a crescer, segundo informações do O Globo.

“As estimativas agora estão apontando uma desaceleração nas quedas das hospitalizações, em praticamente todo o país. Em alguns lugares vemos até retomada de aumento nas estimativas”, afirma o estatístico Leonardo Bastos, que atua nos dois grupos que realizaram os levantamentos.

Em 2020, todas as vezes que houve um aumento nas mortes e internações por SRAG, o número se reflete duas ou três semanas depois nas estatísticas oficiais do coronavírus.

As explicações para este comportamento do vírus são diversos. A epidemiologista Gulnar Azevedo, professora da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), acredita que a flexibilização das medidas de restrição e o aumento da interação social devido à “sensação” de segurança passada pela vacinação são alguns dos motivos para este aumento, assim como a chegada da variante Delta no país, que tem maior poder de transmissão.

“Uma soma de fatores pode explicar esse aumento recente, e sem dúvida a flexibilização das medidas restritivas favorece o aumento da transmissão. A sensação de que a vacina protege está fazendo com que os vacinados abram mão das máscaras e do distanciamento físico. E a entrada da variante Delta do coronavírus, que é muito transmissível, pode ser um fator importante”, explica.

Professor da Faculdade de Medicina da USP, o epidemiologista Paulo Lotufo concorda que a retomada das atividades é a principal razão no momento, mas que em breve o espalhamento da variante Delta pode fazer se repetir o cenário vivido no fim do ano passado.

“Mas em um segundo momento essa mudança de tendência poderá ser pela variante Delta. É mais ou menos o que aconteceu em dezembro, quando estávamos em situação bem melhor do que agora. Houve aumento pela reabertura e, depois, a dinâmica da variante Gama tomou conta do cenário”, disse.

Bnews