Grupo que fraudava resultados de jogos definia autor e horário de gol

goleiro

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta quarta-feira (6), oito suspeitos de participar de uma quadrilha internacional que fraudava resultados de jogos de futebol nas divisões inferiores no Campeonato Paulista. Segundo a delegada Kelly Cristina César de Andrade, a quadrilha combinava o jogador que iria fazer o gol e também se seria no primeiro ou no segundo tempo.

O jogo entre Grêmio Barueri e Rio Preto, realizado em fevereiro, está sob suspeita. Além dos jogos no Campeonato Paulista, o grupo pode ter manipulado, também, partidas disputadas em campeonatos no Norte e Nordeste.
Entre os presos, está Carlos Luna, ex-goleiro do América de São José do Rio Preto, no interior paulista. Segundo as investigações, ele aparece em gravações telefônicas com a quadrilha que manipulava resultados de jogos de futebol. O ex-jogador negou. “Eu não tenho nada a ver com isso aí, nunca ganhei um real. Sou honesto”, afirmou.

Outras sete pessoas foram presas em São Paulo, no Rio de Janeiro e Ceará. A polícia também fez buscas no Rio Grande do Norte. Anderson Silva Rodrigues teve a prisão decretada mas não foi encontrado. Os policias disseram que ele é um dos chefes da quadrilha. De acordo com a polícia, apostadores da Indonésia, da Malásia e da China operavam bolsas de apostas na internet e pagavam propina para pessoas no Brasil em troca de combinação de resultados.

Escutas
O objetivo da Operação Game Over (fim de jogo) é desarticular o grupo que alterava resultados de partidas de futebol das séries A2,que corresponde à segunda divisão, A3, terceira divisão e B, quarta divisão de campeonatos estaduais. Eles compravam treinadores e atletas para manipular os resultados.
Segundo a delegada, a operação teve início há um ano. A Polícia Civil instalou escutas telefonicas com autorização da Justiça e apurou que o placar era manipulado para beneficiar apostadores asiáticos, que faziam apostas pela internet. A propina para pagar os técnicos e jogadores vinha de bolsas de apostas da Indonésia, Malásia e China. O esquema era chefiado por um agenciador carioca e um ex-jogador de futebol que atuou na Indonésia.
Os apostadores faziam as apostas na internet e entravam em contato com os aliciadores no Brasil. Os aliciadores entravam em contato com técnicos, atletas e dirigentes de clubes, que recebiam propina para combinar o resultado dos jogos e beneficiar os apostadores na Ásia.
Os investigadores investigam agora, se a manipulação atingiu jogos da Série A do Campeonato Paulista e também de outros estados.

Federação diz que colabora
O Rio Preto Esporte Clube afirmou que não está sendo investigado e se considera vítima nas supostas manipulações. A Confederação Brasileira de Futebol informou que os campeonatos citados na investigação são responsabilidade da Federação Paulista. A Federação Paulista de Futebol declarou que colabora com as autoridades para identificar as supostas ilegalidades. Dirigentes do Grêmio Barueri e representantes de Anderson Silva Rodrigues não foram localizados

Máfia do apito
Em 2005, o escândalo da Máfia do Apito veio à tona. Árbitros foram acusados de manipular resultados de partidas dos principais torneios nacionais para ajudar apostadores a lucrarem com os placares encomendados. No centro do escândalo, o juiz Edílson Pereira de Carvalho, um dos dez que utilizavam o escudo da Fifa no país, foi preso. Várias partidas do Campeonato Brasileiro da Série A que já tinham sido disputadas foram canceladas e realizadas novamente.
G1