Festival de Morro de São Paulo volta após nove anos

ex-Cidade Negra Tony Garrido vai levar seus muitos hits ao festival – Foto: Divulgação

Um dos destinos turísticos mais procurados do verão brasileiro recebe a partir de hoje a 6ª edição do Festival de Morro de São Paulo. Dando boas-vindas ao mês do carnaval, a festa reúne shows gratuitos de atrações locais e nacionais. Dois palcos agitarão as noites de Morro. O palco na vila, que recebe as manifestações culturais da região e o palco principal, montado na segunda praia, onde acontecerão as apresentações musicais.

Na agenda de hoje do  Festival de Morro de São Paulo, no palco montado na segunda praia se apresentam Jau, Filhos de Jorge e Degê. Já no palco da vila, o grupo Chegança de Cairu, manifestação popular devota de São Benedito, recepciona o público. Quem assume o palco principal amanhã (4) é Marcelo Falcão, DH8 e Ana Petkovic. Com os Congos de Cairu abrindo a noite, um grupo centenário que só existe em Cairu, manifestação cultural que representa o negro africano que povoou a região ao ser trazido para o Brasil.

Para o último dia do festival, Tomate, Toni Garrido e Dayane Félix comandam o palco da segunda praia. E os Caretas de Cairu se apresentam no palco vila com suas indumentárias vibrantes e instrumentos como enxadas, búzios e tambores. Devotos de Nossa Senhora do Rosário, eles são uma tradição do município, reconhecidos como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Márcia Mamede, coordenadora geral do projeto, ressalta que o Festival de Morro sempre teve uma preocupação em valorizar os artistas locais. O palco onde se apresentam grandes artistas nacionais, é visto pela coordenadora como oportunidade para fortalecer o trabalho dos músicos da região.

Mamede descreve as manifestações populares, tão fortes na região, como uma forma de apresentar ao público de fora – turistas –  a riqueza cultural local. “Muitos desses grupos não conseguiriam se apresentar sem um cachê, pois precisam investir na manutenção dos figurinos, adereços, instrumentos e possibilitamos essa manutenção”, afirma.

Donos do hit Ziguiriguidum, os Filhos de Jorge são atração da primeira noite do festival, e chegam ao palco levando todo o gingado já conhecido pelo público. “Não vai faltar e não pode faltar balanço, energia boa da galera que vai estar lá assistindo ao show especial que a gente preparou”, menciona Arthur Ramos, integrante do trio.

Um dos vocalistas da banda, Dan Vasco, comenta que os Filhos de Jorge estão indo felizes fazer esse show, tanto pelo local em que acontece o festival, quanto pela grade com artistas que admiram. “Por isso a galera pode esperar um show com muita energia e muito balanço. A gente está indo de verdade pra trabalhar, fazer música, mas com certeza a gente vai se divertir muito”, assegura Dan.

A banda preparou um repertório especial, com canções inéditas, clássicos da Filhos de Jorge, clássicos da música brasileira e alguns hits que trouxeram do mundo para o próprio set list.

“Estamos felizes de apresentar essa nova fase dos Filhos de Jorge aqui nessa cidade que a gente ama tanto”, frisa o cantor Papito Gomes, integrante da banda.

Dan revela que o grupo iniciou o ano com o desejo de entregar muita música para os seus fãs. “Passamos a pandemia inteira produzindo, escrevendo dentro da nossa possibilidade e a gente acabou com um grande problema, que é ter que escolher quais músicas a gente queria entregar primeiro pra galera”.

“Antes do carnaval a gente lança o nosso álbum Ao vivo em Salvador – Parte II. A galera vai poder curtir os hits da nossa carreira, músicas inéditas também que eu tenho certeza que vai aquecer todo mundo tanto no carnaval quanto depois. Carnaval vai ser quente, mas eu acho que 2023 como um todo vai ser ainda melhor.”, destaca Dan.

Arthur prevê o festival como mais um aquecimento para o Carnaval, com a oportunidade de incluir novidades no show, em uma preparação para os festejos de fevereiro.  “Carnaval é nosso ápice, é onde a gente quer apresentar tudo de melhor. Fiquem ligados com a gente, porque se tem uma coisa que a gente está fazendo com muito amor e muito carinho pra quem curte nosso som é música”.

No sábado, a banda DH8 sobe ao palco com a expectativa de que a energia do local paradisíaco seja a mesma presente no show. “Sou apaixonado por Morro, mas acho que a banda toda compartilha um pouco desse sentimento. A expectativa é lá em cima. Morro de São Paulo é um lugar maravilhoso”, declara o Gusta, vocalista da banda.

Com um repertório carnavalesco preparado para o verão, o grupo promete levar o público a um misto de sensações. “A gente quer fazer algo bem carnavalesco, bem alegre, com muitos ritmos, bastante mistura, músicas pra cantar, dançar, pular, se emocionar”. Gusta garante que o intuito é fazer quem estiver presente viver a experiência mais diversa e divertida possível.

O grupo segue depois do festival com foco total no Carnaval. “Estamos com muitos projetos, muita coisa pra mostrar, músicas novas, clipes, lançamentos. A DH8 vem forte em 2023, mas antes, Carnaval de Salvador: já está na porta”, complementa o vocalista.

Retornando a tradição

A 1ª edição do festival rolou em 2010, foi uma mistura de estilos musicais, como Maria Gadú, Nando Reis, Vânia Abreu e Leilah Moreno. Em 2011 a 2ª edição teve grandes nomes da música popular brasileira como Vanessa da Mata, Capital Inicial, Monique Kessous e Jau. Nesse mesmo ano surgia na vila o palco com apresentações de manifestações culturais, artistas, artesãos e música regional.

Já em 2012, a 3ª edição contou com atrações consagradas como Lenine e Jorge Vercilo, além das atrações locais de Morro de São Paulo.

A 4ª edição aconteceu em 2013 e teve a presença de Carlinhos Brown, Nando Reis e Ju Moraes, incluindo atividades de consciência ambiental e valorização da cultura local.

A 5ª edição, realizada em 2014, teve no line up nomes como Jau, Saulo, Cidade Negra e atrações culturais como grupos de Zambiapunga, Congos, Chegança, Capoeira e Samba de Roda.

Nesta edição, o festival tem a promoção da Prefeitura Municipal de Cairu, apoio da Cerveja Devassa, com patrocínio da Neoenergia através do programa Fazcultura do Governo da Bahia. “Esperamos que esse retorno seja a consolidação do Festival de Morro de São Paulo como um evento do calendário de Festivais da Bahia”, aposta a coordenadora.

Para Márcia, a proposta do Festival de Morro de São Paulo é fortalecer a Economia Criativa da região, na alta estação. “A economia do Turismo já é bastante forte nas Ilhas de Cairu, mas estamos agregando a isso um evento cultural de grande porte, que amplificará a geração de renda local, com a contratação de uma equipe e atrações artísticas da região, em intercâmbio com os grupos de fora”, relata a coordenadora.

Com o retorno do festival, que desta vez acontece no verão, e sempre pensando no retorno ambiental, Márcia detalha a iniciativa que será realizada após o evento. “O plantio de centenas de árvores, para ser um Festival com o selo Carbono Zero”.

Assumindo a marca de responsabilidade socioambiental e seguindo o exemplo de anos anteriores, o selo Carbono Zero será creditado pelo cálculo do índice de emissões de dióxido de carbono emitido durante os três dias de evento. Essa cota de emissões registrada será mitigada da atmosfera por meio do plantio de árvores feito pela empresa ‘OCT – Organização de Conservação da Terra’ localizada em Pratigi, próximo a Morro de São Paulo.

“Toda a gestão será supervisionada por um especialista conceituado, contratado para gerenciar as reduções de impactos dos resíduos do projeto na natureza. Sobretudo considerando que Morro de São Paulo se localiza na APA (Área de Proteção Ambiental) de Tinharé – Boipeba, o respeito a natureza é algo fundamental para o sucesso do projeto”, explica Márcia.

A Tarde


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