Feira no Rio faz venda ilegal de tartarugas,macacos e aves

Uma operação da Polícia Ambiental do Rio de Janeiro apreendeu cerca de 200 animais silvestres em uma feira em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O flagrante foi feito com uma câmera escondida e mostra que os bichos são negociados em plena luz do dia. Os feirantes oferecem os animais aos gritos por valores que vão de R$ 40 a R$ 500. As imagens mostraram que a comercialização dos animais silvestres acontece a poucos metros de uma viatura da polícia.

A maioria dos animais é capturada no Nordeste e nas regiões Norte e Centro-Oeste. Eles são transportados nas piores condições possíveis pelas estradas do país até a Região Sudeste, onde a maior parte é vendida.

O Brasil movimenta ilegalmente cerca de 12 milhões de animais por ano. O comércio interno de animais, como o da feira de Caxias, ajuda a alimentar o tráfico internacional de animais silvestres.

“A gente sabe que a maioria dos animais traficados e tirados da natureza, vendidos de uma forma geral, são aves. Esses animais o que podem fazer? Não podem escolher como parear, não podem voar, não estão livres para expressar seu comportamento natural”, explica Elizabeth Macgregor, diretora de educação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.

Regularmente centenas de pássaros são apreendidos pela Polícia Ambiental do Rio e o que mais chama a atenção são as condições em que eles chegam ao Centro de Triagem do Ibama. Em uma das apreensões, somente em uma gaiola havia cerca de 50 aves confinadas. Muitas delas não resistem e morrem.

“São animais recém-capturados, se debatem muito contra a gaiola, e isso provoca muitos machucados neles, provoca stress muito grande, eles chegam bem debilitados aqui no centro”, afirmou Márcio Urselino, analista ambiental do Ibama.

Em média, de cada dez aves transportadas por traficantes, nove morrem no caminho. A estimativa é do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Em alguns casos, levá-los de volta à natureza é quase impossível.

A pena para quem trafica animais silvestres varia de 6 meses a um ano de prisão e multa. Na apreensão dos mais de 200 pássaros em Duque de Caxias, ninguém foi preso.

G1