Economia Solidária: Moeda Social, Clubes de Trocas e Compartilhamento de Bens e Serviços são ações inteligentes a serviço do desenvolvimento local

 

CLUBES DE TROCAS SÃO GRANDES OPORTUNIDADE DE DESENVOLVIMENTO LOCAL

Sentido maior e origens dos clubes de troca no Brasil e no mundo

Os clubes de trocas são grupos comunitários que se reúnem e promovem as trocas diretas de produtos, serviços e saberes entre seus membros. Cada clube se organiza e constrói uma metodologia adequada a sua realidade, definindo, por exemplo, os períodos, lugares de reuniões, formas e os instrumentos para mediar as trocas. Sendo assim, constrói-se um “mercado de trocas que conta com a figura dos “prossumidores” (espécie de consumidor-produtor).

Por exemplo, um produtor rural leva os seus cachos de banana para a feira e quer voltar para a roça com carne. Ele troca as bananas por Moeda Social e com moeda, ele “compra” a carne! Desta forma, um grande comerciante de Jaguaquara que vende muita banana, por exemplo, não terá a mesma vantagem que o produtor local, dado a liquidez em Moeda Social local… e assim por diante.

Isto acaba por abrir mercado cativo e portanto, gera emprego e renda a produtores locais, dado a inteligência da Moeda Social local. Uma ONG poderia criar e gerir o e-Cacau, (moeda social local que no futuro poderá vir a ser digital), com o apoio e infraestrutura vindos da Prefeitura Municipal de Ipiaú e Governo do Estado da Bahia, via suas secretarias coligadas.

Logo, o maior problema, que é o dinheiro para que a economia comece a girar, já estará superado com a criação e conversão de valores líquidos em uma moeda de troca (própria) e depois as destrocas com outras mercadorias desejadas e úteis, fluem naturalmente. Exponencialmente. De forma contaminante e propulsora do ressurgimento das atividade produtivas e do consumo de bens e serviços locais. O sistema favorece ainda a cultura da produção e consumo locais perenes, fortalecendo as relações comunitárias”. No intuito de facilitar as trocas, já é comum alguns clubes criarem moedas sociais que se tornam o meio líquido de troca como alternativa quando não ocorrem trocas diretas de produtos ou serviços. (Forma consensual e inteligente de sair da estagnação).

Para aqueles que pensam que isto seja uma operação ilegal, saiba, o próprio governo federal tem a muito tempo uma Secretaria de Economia Solidária, desde 2003, onde são alocados vultosos recursos, justamente para ocupar estas lacunas econômicas ineficientes ao grande capital.

Os clubes de trocas brasileiros, da forma como se apresentam hoje, foram diretamente inspirados nos clubes de troca argentinos e canadenses. São também vistos como alternativas encontradas pelos grupos para adquirirem e fornecerem bens e serviços em contextos econômicos locais.

Na Argentina, devido à crise, em 1995 um grupo de 23 pessoas, praticamente todas desempregadas, começou a se reunir em uma improvisada garagem na Província de Bernal no intuito de trocar bens e serviços entre si. Com instrumentos de gestão e controle bem simples inicialmente, a ideia começou a se difundir rapidamente, aumentando o número de sócios e o número de clubes de troca pelo país. Os quais vieram a se estruturarem mais tarde.

Esta solução prática e inteligente, acabou se tornando uma alternativa sólida, em meio à crise dos anos 2000, e deu origem a uma economia paralela consistente. De fato, “os argentinos decidiram tomar pelas mãos a organização do seu país para sobreviverem”. Para termos uma ideia do contexto argentino na época, antes dos anos 2000, eram 85 clubes; em 2000, alcançaram a marca de 400. Em 2001 e 2002, auge da crise, eram 1.800 clubes de trocas com 800 mil membros e 5.000 clubes com 2 milhões de membros, respectivamente.

Mas, a ganância de alguns espertalhões, e a falta de apoio governamental, trouxeram alguns problemas de registro, contábeis e de falsificações da moeda, e acabaram por provocar sua descredibilidade momentânea e o distanciamento da ideologia solidária que deu origem ao movimento. Atualmente, ainda existem muitos clubes com cerca de 4.000 membros, os quais possuem um caráter de integridade, profissionalismo e buscam uma integração em rede estruturada. Logo, é muito importante cuidar para não acontecer desvios. A confiança e o proposito solidário responsável, são a motivação e sustentação de tudo! Fidúcia, esta é a palavra mágica. A moeda e o movimento solidário precisam de respeito e admiração constantes, e todos devem construir e sustentar seu valor em favor da coletividade.

No Brasil, o primeiro clube de troca foi inaugurado em l998, em São Paulo, no bairro de Santo Amaro. Em 1999, surgiu a experiência no Rio de Janeiro, seguida por outras cidades brasileiras, como os clubes de troca da comunidade Ruben Berta, em Porto Alegre; o clube de Jardim Rubilene, em São Paulo; e o Grupo de Economia Popular e Solidária (Geps), em Vitória da Conquista-BA. Em novembro de 2001, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, surgiu o primeiro clube de trocas da Rede Pinhão, diretamente influenciado pela experiência argentina. Em fevereiro de 2013, a rede Pinhão em Curitiba contava com 24 clubes. A moeda utilizada na rede é chamada Pinhão, em homenagem ao fruto da araucária, árvore símbolo da região.

Em 2004, vários clubes de trocas se reuniram em Mendes, no interior do Estado do Rio de Janeiro, num encontro que contou com representantes de clubes dos estados das regiões Sul, Sudeste, Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Goiás), Norte (Pará) e Distrito Federal. Contou também com participantes do México e da Argentina (BRASIL, 2013).

Ipiaú pode vir a liderar a implantação de Clubes de Trocas importantes na microrregião cacaueira. Os mercados municipais (novo e velho), o RNTC… podem servir de palco para este brilhante e salvador empreendedorismo Social. É a Economia Solidária salvando uma região capaz de voltar a ter altas taxas de produtividade, (atualmente travada por apropriação financeira bancária servil) monetárias e custo alto do dinheiro na concessão de crédito para produção e consumo de bens e serviços locais, com juros de até 432% a.a. como é o caso dos cartões de crédito.

MOEDAS SOCIAIS QUE PROPICIAM A PREFERÊNCIA PELA PRODUÇÃO E CONSUMO LOCAIS

Como sempre diz o Joaquim Melo, presidente do Banco Palmas de Fortaleza-CE, criador do primeiro Banco Social do Brasil: – Ninguém é pobre por natureza… as condições econômicas é que as tornam pobres. Vide histórico do Banco Palmas e do Joaquim Melo, através do link:

https://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2012/04/de-morador-de-lixao-banqueiro.html

Este é ponto importantíssimo da transformação socioeconômica – a criação de Moedas Sociais, a partir dos Clubes de Troca. A “moeda social é uma forma de moeda paralela instituída e administrada por seus próprios usuários, com apoio das prefeituras locais, logo, sua emissão é originada essencialmente na esfera privada da economia”, porém com o devido apoio estrutural e moral dos governos.

Devido ao fato de algumas moedas complementares não terem objetivos comerciais diretos, estas são chamadas de sociais, comunitárias, solidárias ou mesmo regionais ou locais. No Brasil, são frequentemente denominadas “moedas sociais”. A razão para a denominação “moeda social” diz respeito ao fato de elas estarem a serviço das comunidades que as criam e implementam, com o intuito de elas apoiarem na resolução dos seus problemas sociais e econômicos, através do destravamento econômico. Depois delas, se bem geridas, baseadas na produção local, tudo começa a girar novamente.

Para os defensores, nacional e internacional, acadêmicos e políticos, o adjetivo “social” reflete também um princípio (e ao mesmo tempo uma prática) no seio dessas experiências: o do incentivo controlado, social e político do econômico, exercido pela comunidade organizada assistida e fomentada. Para isso, o sentido de economia se pauta na sobreposição do social sobre a lógica puramente mercantil financeira. Ou seja, no sentido substantivo original da economia. Este é o sentido maior que procuramos notar nas moedas sociais brasileiras nos Bancos Comunitários de Desenvolvimento Social Local (BCD), e nos clubes de trocas espalhados em vários territórios do país.

No Brasil, as chamadas moedas sociais são criadas pelos associados de um clube de trocas, por ONGs ou um BCD. Os primeiros se caracterizam por se organizarem em torno da troca direta (inicialmente sem o uso de moeda) ou indireta (usando moedas sociais, que é a forma mais viável e prática) de bens e serviços de modo sistemático. Já os BCDs são relativamente recentes no país e têm se destacado pela difusão das experiências e pelas particularidades introduzidas anteriormente.

Se imaginarmos que Ipiaú e a microrregião são capazes de produzir muitos bens e serviços (fundamentalmente os agrícolas), a criação de Clubes de Trocas, capazes de favorecer de forma privilegiada a produção local… seria uma grande oportunidade de emprego e renda não apenas na cidade de Ipiaú, mas em toda a microrregião. Pois, a moeda dará poder de compra, via trocas e acesso a um mercado cativo dado a territoriedade da Moeda Social local.

A prefeitura pode entregar as crianças Moedas Sociais, as quais, elas podem, por exemplo, trocá-las por chocolate das fábricas chocolateiras locais, ou se preferirem, levar para casa, para complemento alimentar da família (fato que obrigaria os fornecedores a zelar pela qualidade) e extrapolaria o microambiente de aceitação da Moeda. Ou ainda, poderia adquirir produtos da Agricultura Familiar de Subsistência, para substituição dos biscoitos e demais produtos industrializados fora do município. Sempre com a escolha das crianças e/ou suas famílias, assistidas e educadas pelas escolas municipais. Fato que poderia matar 2 coelhos com uma única cajadada, dado ao consumo do nosso próprio chocolate e seus derivados.

Fonte: Dra. Ariádne Scalfoni Rigo, da Universidade Federal da Bahia, Escola de Administração Programa de Pós-graduação em Administração, na tese – Moedas Sociais e Bancos Comunitários No Brasil: Aplicações e Implicações, Teóricas e Práticas.

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como reflexão complementar a leitura.

https://www.youtube.com/watch?v=haVWyuQqkTk

 

COMPARTILHAMENTO SOLIDÁRIO DE BENS E SERVIÇOS

Foi devido a ação inconformista, criativa das novas gerações, aparentemente desapegada e/ou desleixada, as quais têm vindo com uma força transformadora estonteante, crentes num mundo digital exponencial, onde cada vez mais, estas gerações tem firmados seus valores e crenças, apostando em:

  • SER é mais legal que TER;
  • Que o Acesso e/ou Uso é melhor e mais viável economicamente, do que a Propriedade (depreciação, manutenção, assistência…);
  • Colaborar é bem mais sustentável, ao conjunto da comunidade, do que Competir inconsequentemente;
  • A interdependência colaborativa ganha de mil a zero do individualismo solitário;
  • E a abundância sustentável vem das relações que construímos;
  • Mais Vale repartir na abundância em Cristo, que Multiplicar materialmente no vazio;
Foi nesta pegada que surgiu o APP Tem Açúcar? Uma plataforma que facilita o compartilhamento de coisas entre vizinhos, através do celular e hoje vem se espalhando pelo Brasil a fora! É A Uberização Solidárias das coisas.

A iniciativa visa busca estimular a colaboração, a camaradagem e o senso de comunidade interdependente. Com o intuito de resgatar o hábito de bater na porta do vizinho para pedir uma xícara de açúcar. E ai entra o APP dando uma mãozinha pra que seja possível bater em várias portas digitais, de forma objetiva, assistida, ordeira em questão de minutos.

Emprestar algo em vez de comprar, e usar muito pouco suas coisas, é por fim uma ótima maneira de economizar dinheiro, agir de forma sustentável e quebrar o gelo na hora de conhecer os vizinhos.

Ah! Diferenciar que Compartilhar e diferente de Trocar. E pois, uma ajuda incondicional! Neste caso, você não tem que dar nada em troca e nem pagar por isso, tipo aquele ditado: gentileza gera gentileza.

Pra que comprar e pouco usar, se você pode compartilhar? Esta foi a questão inicial motivadora.

Infelizmente vivemos em uma cultura de hiper-consumo e descarte, através da Obsolescência Programada, que nos ensina que as coisas que temos são mais importantes do que quem somos. Nossa cultura também cria uma Escassez Artificial que nos faz crer que devemos a todo custo, competir uns com os outros por recursos ao invés de colaborar e compartilhar inteligentemente de forma sustentável.

Todo bem que é produzido tem um impacto socioambiental que muitas vezes não vemos: extração de recursos naturais, gastos com energia na produção e transporte, mão de obra escrava muitas das vezes, e por final o descarte, que sabemos que ainda não é feito de maneira ideal.

boa notícia é que o APP Tem Açúcar?, veio para mudar isso e repensar essa lógica, estimulando o consumo consciente e sustentável, mostrando que a nossa abundância não tem a ver com quanto dinheiro temos ou com os bens que possuímos. A abundância nasce das relações que construímos.

Quando colaboramos e compartilhamos, multiplicamos os recursos e vivenciamos um maior senso de abundância e conexão, ao melhor estilo “milagre da multiplicação” ou Repartição, como Jesus nos ensinou, só que versão 2.0!!!

Para falar com a galera que empreende essa maravilha de novidade, acesse http://www.temacucar.com/porém antes, não deixe de assistir abaixo estes 2 vídeos para melhor compreensão.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp