Economia Solidária: É chegada a hora dos Bancos Comunitários e Moedas Sociais inaugurarem a estratégia do desenvolvimento microrregional

Hoje já se sabe, que a forma de dominação econômica de um povo, a intitulada NOVA SENZALA monetária, é operada tornando os mais pobres em servos econômicos, dependentes, através da dominação Monetária, Fiscal, Financeira e Comercial estrangeira.

Como reação concreta, tendo por fim a libertação econômica destes indefesos, em especial, os mais pobres alocados nas pequenas cidade do interior do país, onde mais de 82% das pequenas cidades brasileiras têm menos de 50 mil habitantes; é que surgiram os Bancos Comunitários de Desenvolvimento local (BCDs) e as Moedas Sociais Locais (MSL).

O Encontro nacional, anual, dos BCDs, do ano de 2018, foi realizado em Fortaleza-CE, onde reuniu pesquisadores, economistas, intelectuais, gestores públicos, empreendedores sociais, organizações, movimentos sociais e representantes dos 113 BCDs existentes no Brasil, além de representantes de mais de 20 países que se fizeram presentes no importante evento.

O objetivo deste tipo de encontro é promover trocas de experiências e aprendizados entre os vários modelos desse tipo de instituição financeira social e as novas tecnologias sociais desenvolvidas em vários países para gerar crescimento econômico, com inclusão social, em territórios de baixa renda. Nessa perspectiva, acontecem avanços comerciais e também o fechamento de compromissos por parte do poder público e de ONGs, buscando apoiar estes bancos comunitários, como estratégia de inclusão socioeconômica, financeira e bancária de milhares de brasileiros.

O evento é promovido anualmente pelo Banco Palmas e a Rede Brasileira de Bancos Comunitários. As palestras aconteceram dentro dos seguintes eixos temáticos: “Economia solidária”, “Democracia econômica”, “Finanças solidárias”, “Tecnologias para a construção de alternativas”, “Ecossistemas de inovação social” e “Investimentos para a geração e distribuição de riquezas”. Entre os palestrantes, esteve nomes como: Morgan Simon, líder internacionalmente reconhecida na área de investimentos de impacto, na construção de pontes entre finanças e justiça social. Katrin Kaeufer, pesquisadora sênior do Departamento de Estudos e Planejamento Urbano do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT); Marisa Villi, co-fundadora e diretora executiva da Rede Conhecimento Social, além de Ladislaw Dawbor, formado em economia política pela Universidade de Lausanne, Suiça e doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia.

Banco Palmas duas décadas depois (Fortaleza-CE)

Criado em 1998, o Banco Palmas completou 20 anos de existência em 2018. Foi o primeiro Banco Comunitário de Desenvolvimento criado no Brasil. Hoje, congrega uma rede de 113 BCDs distribuídos em todas as regiões do Brasil, somando 20 estados da Federação e 90 municípios. Nenhuma outra iniciativa de caráter financeiro no Brasil está tão conectado com os pobres quanto os BCDs. Desde as ilhas ribeirinhas na Amazônia, passando por comunidades quilombolas, indígenas, assentamentos, vilas de pescadores, territórios rurais e urbanos, até as periferias do Rio Grande do Sul. Por isso o tema destes 20 anos foi: Conectados.

Em 2015, o Palmas adquiriu, com recursos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), o sistema e-Dinheiro. Com a compra da plataforma, passou a ser um Banco Digital, de propriedade exclusiva da rede de Bancos Comunitários à disposição da economia solidária e do povo brasileiro, oferecendo uma variedade de serviços financeiros e bancários, dentro dos marcos regulatórios do Banco Central (BC).

Com o apoio do Banco Central do Brasil, hoje, as operações em moedas sociais, já contam até com a sofisticada proteção de seguro de crédito, cobertos pelo sistema nacional do Fundo Garantidor de Credito Social (FGCS). (vide vídeo abaixo).

Cidades com economias fragilizadas, que ainda sofrem com a falta de emprego e renda, como Ipiaú e tantas outras da microrregião cacaueira, já poderão dispor, se assim o fizerem por onde, da formatação e tecnologias econômico-financeiras sociais, e portanto, poderão já estrarem apoiando seus agentes sociais do Desenvolvimento Econômico Local, através destas ferramentas financeiras e organizações de iniciativas sociais desenvolvimentistas.

Acesse através do link abaixo, e veja o exemplo da prefeitura de Maricá-RJ, que já pratica com sucesso tal iniciativa:https://www.marica.rj.gov.br/2014/03/28/entregues-mais-2-280-cartoes-do-bolsa-social-mumbuca/

Para dar giro e maior fluxo à moeda local, a ideia é que as prefeituras da região, passem a aceitar a Moeda Social, na liquidação de tributos municipais, como o IPTU. Inclusive, em especial, também o ITR, o qual deveria ser concomitantemente municipalizado. A própria cesta básica, distribuída pelas prefeituras, poderiam ser substituídas por crédito equivalente, em moeda local, o que “forçaria” o consumo de produtos de produção local. Que aliás, o objetivo maior, é justamente este: – a substituição de produtos forasteiros, que geram emprego e renda em outras praças comerciais, em detrimento da nossa.

Não faz sentido, diante do estágio e avanço que estas tecnologias já oferecem, Ipiaú não reagir inteligentemente e não propiciar soluções monetárias e creditícias, capazes de propiciar a sua população desempregada, a retomada do desenvolvimento local, através da produção local em substituição de produtos forasteiros como: sucos, manteiga, feijão, milho, hortifrutigranjeiro, chocolate, ovos, carnes, água mineral, farinhas, e tantos outros produtos que já produzíamos no passado e nos rendemos as grandes CIAs transnacionais e/ou forasteiras. Lembrar ainda, que a importação de produtos prontos forasteiros, implica na consequente exportação de emprego e renda locais!

Urge uma reação inteligente para se garantir a sustentabilidade socioeconômica local, dado que há sim, grandes ameaças a economia local, tais como: a brutal redução do percentual de aposentados, o e-commerce, as redes varejistas forasteiras, a concentração de arrecadação fiscal nos centros industrializados e as consequências das reformas Previdenciária, Trabalhista, Tributária… em curso, as quais ameaçam a economia local com a preponderância financista.

Porém, ao que parece, o que de fato importa a muitos agentes públicos locais, é esperar chegar o dia 30 para bater na contas seus vencimentos, sem “dor de cabeça”. Afinal, os governos federal e estadual, têm suportado em cerca de 93% o Orçamento Anual Municipal. Ao passo que o INSS e o Bolsa Família ainda despejam vultosos recursos na nossa economia. Aí o resto… é colocar a culpa política no governo federal, bajular o governo estadual sem proposito duradouro concreto… e a vida que segue. Para que esquentar a cabeça? Mesmo porque, quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve! Talvez seja essa mesma a melhor opção: – Não entrar para atrapalhar, engabelando!

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp

https://www.youtube.com/watch?v=brJZvoe8xQk&list=PLhqfgkxuHXh7WHilec1NmtsD-XwQycSPQ