Economia: Por um Novo Paradigma no Empreendedorismo Local

 

Alô, alô marciano. Aqui quem fala é da Terra… (Ipiaú-BA) ladeira abaixo, numa Rural 72, sem freio, rumo ao futuro. Segura aí, que lá vamos nós, entre muitos nós a serem desatados, entre outros a serem alinhavados via Políticas Públicas Perenes (verdadeiras PPP), costurando uma nova roupagem para uma festa que sequer temos convites ou fomos convidados. Quando ainda, temos muitas malas à carregar!

Iniciemos aqui o nosso voo panorâmico para melhor nos aproximar da necessária visão ao Macro Plano de Desenvolvimento Territorial Local, ao qual, o Agenda 2033 vem tratando, insistentemente, perante um certo grunhido de não especialistas, em meio a um silêncio público, de repercussão ensurdecedora.

Para fins de contextualização socioeconômica características e estrutural, abaixo, alguns dados expressivos.

Hoje em Ipiaú ainda temos (2019):

48.000 Habitantes, 87% urbanos num território total de 280 km². Sendo 84% da área, rural com 23.652 ha;

86 anos inacreditáveis de Emancipação político administrativa. Não parece;

R$ 462 milhões do PIB 2018 (IBGE): Comércio/serviço 50%, Governo 36% Indústria 8% e Agropecuária 6%;

R$ 9.630 Renda média per capta (média fictícia) 1/3 da renda média nacional. Metade, de fato ganha por volta de ½ salário mínimo;

3.530 Empregos urbanos e 218 rurais, formais (2018 – Caged);

871 Estabelecimentos agropecuários com cacau ou gado. Sendo 301 com banana, inclusive;

2.644.930 Litros de leite de vaca por ano;

90 milhões/ano é Orçamento Público Municipal, sendo 86% vindos do governo federal e apenas 6% local (Min. Eco) Onde cerca de 54% são consumidos para rodar a própria máquina;

1/6 dos Empregos formais da cidade são públicos. Sendo que 36% da folha de pagamento da prefeitura são gastos com professores e profissionais da educação, quando de 2005 a 2017, o número de matrículas caiu significativamente, enquanto aos gastos não;

3/4 da Arrecadação Tributária própria, municipal, cobre apenas os gastos com a Câmara;

10.500 Beneficiários do INSS e cerca de 3 mil pendurados no Bolsa Família, juntos trazem à cidade 160 milhões/ano, e são os principais clientes do comércio e serviço locais;

23 mil é a População Econômica Ativa (PEA) mais de 70% é informal;

50% dos Empregos e da renda vêm do comércio/serviço, que em 2001 era de 62%;

70 mil arrobas de Cacau são produzidas por ano, distribuída em 668 unidades de produção ocupando 25% da área rural 5.886 ha, com uma baixíssima produtividade média de 170 kg/ha x ano (IBGE);

14 mil Estabelecimentos: comercial, industrial e residencial (cadastro IPTU);

13,5 mil veículos: Motos e Carros (Detran);

Ainda NÃO temos em Ipiaú:

Plano de Saneamento Básico legal ratificado pela sociedade via audiências públicas conforme lei 11.445/07 (condicional a repasses do governo federal). Além de concessão do serviço de Água e Esgoto via Concorrência Pública e Termo de Referência adequado a lei 8.666/93;

Plano Diretor atualizado conforme Estatuto da Cidade lei 10.257/01;

Plano de Mobilidade Urbana conforme lei 12.587/12 (condicional a repasses do governo federal);

Sistema Público Profissional de Planejamento e Desenvolvimento Econômico e Social, contínuo;

Sistema Profissional/habilitado e competente, sério, para Aprovação e Fiscalização de Loteamentos e Edificações;

Estudos sérios e consistentes que apontem, mediante diagnóstico e prognóstico, qual o setor econômico que trará o melhor desenvolvimento à cidade, de forma inteligente e equânime aos seus cidadãos;

Para piorar, os raros planos oficiais que temos, não passam de peças mortas nas gavetas das repartições, onde os sucessivos governos não têm respeitado as determinações, aprovadas mediante consulta popular!

Quem ganha as eleições, comporta-se como dono único do brinquedo de compadrio. Se concurso houvesse, para verificação prévia da capacidade de ocuparem tais cargos públicos, muitos, seriam reprovados nos quesitos: Lei Orgânica, Código de Postura, Plano Diretor, Código de Obras, Zoneamento Urbano, Concessões de Serviços Públicos, Sistema do Orçamento Público, Plano de Cargos e Salários, Custo da Coleta do Lixo; além da Insuficiência Administrativa, Incapacidade Representativa e Comunicação Objetiva…

Ainda hoje, muitos candidatos a cargos públicos, passam de casa em casa, pedindo voto como quem pede para se assinar uma rifa do churrasco.

A construção dos Arcos Rodoviários da BA-650 e BR-330, não é questão apenas de alívio do trafego de veículos pesados, e redução de acidentes nas principais avenidas de Ipiaú. Mas, fundamentalmente para a reestruturação da velha malha urbana e consequentemente alavancar o desenvolvimento econômico, com modernas áreas: industrial, novos Condomínios Residenciais com infraestrutura própria, Comerciais, Shopping, etc. Estas obras rodoviárias, deverão ser custeadas pelos governos estadual e federal, respectivamente. Exceto, levantamentos, Termo de Referência e Projetos.

Para que fique mais claro a todos, é importante pontuar que Ipiaú não descreve identidade com as médias estatísticas nacional, e ainda vivemos em meio a várias crises econômicas e sociais: Crise de preço, produtividade e produção da lavoura cacaueira, Crise da Vassoura-de-bruxa, Crise econômica nacional desde 2015, Crise de indefinição econômica, política e ativismo judiciário no plano federal. Com sérias consequências no desemprego, na falta de investimento na infraestrutura, no aprofundamento da crise nas contas públicas e previdenciárias, e ainda, a alta concentração de recursos em Brasília (70% da arrecadação), alto custo e baixo prazo na concessão do crédito bancário… e como se não bastasse, temos enfrentado ainda um crescente alastramento de jovens capitaneados ao submundo das drogas. Infelizmente, e muitos fazem de conta não veem. Outros, oficiais acreditam que só a eliminação asséptica seria capaz de conter. Ledo engano! com a estrutura socioeconômica em curso, mata-se 1, brotam 2.

E é em resposta a tudo isso que Ipiaú reacende as esperanças e ensaia levantar-se das cinzas de cabeça erguida, embora suja (sem tomar banho), sem rumo definido! O problema será o consenso, numa terra de típicos profetas pançudos cheios de agruras, inércias e “direitos”.

  

Ideias é o que não faltam, o problema são as métricas, diagnóstico, prognóstico, considerações e condições reais de sustentabilidade. Em especial, a eleição de quem e como vai-se fazer, o quê e quando (público x privado). Enquanto isso, o tempo urge, não para na estação, não apita na curva e não espera senhor ninguém.

Ocrideeeê, fala prá mãe… que nosso vício de fumar cachimbo diante da televisão, em plena Seção da Tarde, nos deixou malandros demais, pidão, ranzinza, velho crítico além da boca torta.

 

A questão maior é como conquistar um Equilíbrio na Balança Comercial Municipal, diante da baixa produção e produtividade locais, em confronto com um alto desejo do consumo inconsequente, da produção e emprego alheios. Quem vai bancar esta falsa festa, por quanto tempo e em qual condição?

Precisamos construir a melhor estratégia econômica coletiva que nos traga vantagens comparativas relativas, naturais, endógenas, frente a exóticos gigantes players, que há tempos estão consolidados, país a fora, mantados na velha porca (com espadas nacionais e internacionais apontadas às nossas cabeças). No mundo de hoje, há 174 CIAs que são donas de 74% da riqueza gerada pela globalização, onde apenas 26 pessoas no mundo, são donas de metade de toda a renda mundial gerada pelas corporações transnacionais. Lembrando que já passamos de 7,5 bilhões de pessoas “vivas” atônitas e inertes, na face da terra!

 

As partes constituem o todo. Mas o todo, é muito diferente da soma algébrica das partes. Milagrosamente. Porém, ainda pouco dos nossos a percebem de forma objetiva e inteligente com fulcro na coletividade local.

Hoje em nossa região, há poucas iniciativas realmente inovadoras e consistentes, além de muito isoladas. Embora assistidas por críticos espiões, crentes e inertes, com o zoião só esperando para ver o que vai dá; ávidos a criticarem a forma e não o conteúdo no contexto.

Um problema tão estrutural quanto “invisível”, é o papel sacana-parasitário dos Bancos Comerciais“nacionais”, mesmo que estatais, que rezam silenciosamente na mesma cartilha, os quais, todos reunidos e juntos… recolhem 98% do dinheiro de todos, existente na praça, e quando cada um vai isoladamente a um destes bancos, eles de forma certeira lhes arrancam os olhos da cara, com empréstimos exorbitantemente caros e de curto prazo. – Malandra e oficialmente, ganhando horrores sobre o dinheiro alheio, a eles confiados!

Se um negócio novo carece de tempo para maturação e para sobreviver na selva capitalista, é sine qua non que o lucro seja maior que os juros dos empréstimos… senão, já nasce condenado a morte precoce, devido a alavancagem inversa, desfavorável.

A AmBev S/A, bem como tantas outras empresas transnacionais, trabalham com um ciclo Financeiro Negativo! Ou seja, recebe dos seus clientes bem antes de pagar aos fornecedores. O empecilho ao gigantismo destes, é a capacidade de consumo da sociedade econômica explorada. Ao contrário do pequeno empresário: só aguenta existir no mercado enquanto o capital próprio, e/ou a capacidade de endividamento não acaba. Equity Slave! Mais de 60% destes, falem antes do triênio. Daí, mais um motivo, para ressaltarmos a Função Social da Contabilidade e dos registros comerciais e financeiros, a serviço da boa gestão dos negócios próprios, e mais ainda imprescindíveis, aos coletivos associados e cooperados.

Penso que o pequeno empresário comum brasileiro, tem aversão a contabilidade, pois já sabe a priori a foto que terá:

  1. Ao final das contas, o governo levará mais que o próprio-otário empreendedor;
  2. No fluxo, o dinheiro vem em tostão e volta a milhão;
  3. Seus funcionários de fato ganham pouco, mas custam que é uma “beleza”. E quando você pensa que já os pagou, pipocam haveres vindos até da sepultura;
  4. O lema da esperança é: – ano que vem, com fé em Deus eu recupero. Quando enfim, é atropelado pelo fim do ciclo de vida ou estrutural do negócio. Quando ainda, vão lhe acusarem de inerte, atrasado, molenga e/ou individualista;

  

Para aqueles que esperam tudo do governo, e a este lhe atribua em vão toda a culpa, logo bufam: – Será que o governo não está vendo nosso penar? Eis a resposta abaixo:

Daí aparecem aqueles que defendem a tese, de que não registram nada para não deixar rastos na pista. Isso num sistema global onde apenas 2% dos créditos correm em dinheiro vivo, e as declarações acessórias nos fazem denunciar, uns aos outros, quando acaba por ser um destino trágico traçado na maternidade. Com especial precisão, de baixo para cima.

Concluímos então, que se cada negócio, empresa, trabalhador e cidadão, não se resolve com sucesso e de forma sustentável – insustentável é o conjunto da cidade.

Para crescer de forma saudável, a cidade, as empresas, os trabalhadores e os seus cidadãos em geral, precisam produzir mais que consomem, poupar e reinvestir estrategicamente. Mas investir para que, se o que estamos produzindo já há resistência em vender e receber? A economia é cíclica! Com a concentração de renda e o financeiríssimo exacerbado; sem renda circulando, tudo vai parando, parando, parando… Uaaaaa! Bum.

Se não há solução imediata, pelo menos que a diagnóstico nos sirva ao reexame e o consequente prognóstico. Para enfim, chegarmos de forma inteligente e consciente, a resultados efetivos, mesmo que no presente nos sirva apenas de guia… ou ainda, de onde não deveríamos ir, ou voltar.

Para os leitores mais tecnocratas, que não gostam de dar viagem “perdida”, muito bem. Abaixo indicação de um Enterprise Resource Planning (ERP) Marketup, software de gestão integrada de empresas, gratuito, com assistência técnica disponível na Bahia, inclusive. Contate um consultor certificado, a exemplo de: Erivaldo Ataide (73) 99182-4286 (Tim) e 98533-2030 (Oi), ou ainda, [email protected]. Veja demonstração acessando: https://www.youtube.com/watch?v=UIKrhE5hXII

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como objeto complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.