Economia Política: Spread Bancário x Estagnação Econômica no Brasil S/A

Em primeiro lugar, para que muitos consigam bem entender, é preciso contrapor que o título da matéria talvez devesse ser: Lucro Bancário x Estagnação Econômica… Porém, a boa técnica me impõe diferenciar Lucro de Spread. Afinal, esta é a missão-desfaçatez da Febraban, e, de tantos outros agentes econômicos e da mídia patrocinada a serviço do sistema financeiro corrente, que diariamente tentam inscrever na mente da população que: Spread é igual ao Lucro. Não é! Entenda através da leitura atenta, que a “coisa” é muitas vezes pior.

Imagine por exemplo, que alguém que sofra de uma doença e tenha que diariamente, tomar uma injeção para fluir sua saúde-dependente. Como o acesso ao medicamento é regulado pelo governo, não disponível ao cidadão comum, então ver-se obrigado a tem que se valer dos serviços de uma farmácia, agente necessário, para acessar a Cadeia de Abastecimento deste produto-sistema: O remédio, que está lá na ponta. Logo, inevitavelmente terá que ser “vítima-beneficiária” duma composição fármaco e ainda pagar um preço de mercado, correspondente aos acúmulos de custos incidente de forma acumulativa no preço do remédio, no momento e na posição da cadeia de abastecimento, que aquele produto for adquirido.

Seja remédio ou qualquer outro produto, o preço que o consumidor final paga por um produto, normalmente, é o somatório da reincidência de muitos eventos e custos para traz, na cadeia de abastecimento, como: bitributação, lucro sobre lucro, desperdício, amortização de investimento, impostos sobre encargos sociais… Em suma: – Trata-se de um fator multiplicador global incidente sobre o preço do produto. Este fator tem vários nomes, conforme a gíria do setor, exemplo: Na Industria, ele é apelidado de fi (φ), na construção civil (BDI) Benefício e Despesas Indiretas, e, nos segmento financeiro recebe o apelido de Spread. Então o Spread Bancário, como nos demais setores citados, é a razão (divisão) entre o preço de venda pelo preço de custo, sem computar ainda as despesas intrínsecas indiretas e/ou fixas, da empresa. Ou seja, nos serve de maneira fácil e ágil, como análise geral, para rapidamente sabermos, e então podermos comparar, qual o acréscimo que um segmento econômico, acaba adicionando sobre o preço dum produto, sem analisarmos ainda o porquê. Apenas para sucintamente conseguirmos bater o olho e perceber onde está o enrosco, na cadeia de abastecimento.

Exemplo, se uma farmácia compra uma vacina por R$ 100 e revende, aplicada, por R$ 150, o Mark Up ou “Spread”, é de 1,5x. Porém, no caso do banco que capta recursos de terceiros a 5% e empresta a outrem a 40%, o Spread é de 8x. A pergunta fundamental é: Como arcar sustentavelmente com (1,5-1=0,5) aquilo que custa 8? Ou seja, se a Taxa de Juros é muitas vezes maior que a Taxa máxima possível de Lucro, como fechar esta insana conta? Isto representa um peso de 5,3x mais transferência de renda da sociedade, via empresas, para os bancos. No caso concreto do banco, a coisa é muito mais cara e favorável ao banco ainda, dado que para emprestar, sabendo que aquele valor lançado na conta do tomador, inicialmente não passa de uma invenção contábil (moeda escritural) criacionice malandra, sem custo, fruto de mágica financeira, cada vez mais digital; aceita sem questionamentos, desde que ficou claro a vantagem econômico-financeira estrutural, a qual deveria servir de forma equânime ao conjunto da sociedade, o que nunca foi bem assim!

Longe da sociedade estar sendo benéfica em primeiro! Muito pelo contrário, sob o aspecto microeconômico, é quem por fim está sofrendo as agruras deste sistema de servidão financeira programada, unidirecional.

Nesta equação, para melhorar o seu resultado, o banco pode agir em 2 variáveis substanciais. Uma, é aumentar o preço de venda do seu produto, (taxa de juros) que acaba por esbarrar no limite da capacidade econômica da sociedade. Porém, há uma forma escondida no submundo financeiro, que é a ALAVANCAGEM FINANCEIRA, ou melhor, o fator de multiplicação da moeda escritural-digital-contábil (em forma de crédito), via expansão do volume de recursos escriturais (no fundo invenção e artimanha contábil legalizada). Para ficar claro a todos, é como se na farmácia, pudesse se usar a MESMA SERINGA inúmeras vezes! Comparado em custo, a reutilização de uma mesma seringa, muitas vezes, sem protesto dos pseudos “beneficiários”. E assim, o resultado se torna muuuito maior. Mesmo que por conta disto, se crie um risco sistémico da iminente contaminação generalizada.

Outro fato importante, que também gera uma outra forma gratuita na captação de recursos ao banco, é o dinheiro “parado” na conta corrente dos correntistas. O IOF cumpre estrategicamente bem este papel, de fazer com que as milhões de contas sejam desincentivadas a aplicar o saldo num período inferior a 30 dias, pois este “imposto” vai comer seu rendimento inversamente proporcional ao tempo. Que neste caso, o Spread é infinito, dado que o custo de captação foi “zero”, e algo dividido por zero, é zero, ou seja, infinito. Neste ponto fica claro que quando se diz que o Banco Central é o Banco dos Bancos, devemos entender – literalmente!

Nas ações justificativas ludibriantes de explicar para confundir, os defensores, ou melhor, os dissimuladores, advogados de aluguel do Spread Bancário, vão argumentar com contrarrazões aparentemente muito sólidas, alardeando que a captação dos recursos de terceiros, pelos bancos, tem o custo da Selic, o que não é verdade. O banco não paga a taxa Selic, paga a Taxa DI. E também não paga a taxa cheia, apenas uma porcentagem conforme o tempo, o tamanho e o poder do banco. No numerador desta fração, ou seja, no preço de venda deste produto creditício, a receita é ainda maior, dado que o banco cobra taxa de manutenção e operação da conta. É como se estranhamente fosse cobrado um ingresso para se poder entrar na farmácia, e, mais uma taxa para poder concretizar o “espetáculo efetivo” da compra comercial. Isso só é possível dado a urgência, demanda, regulação estatal subserviente ao monopólio bancário, armado neste pedágio estrutural, para acesso ao crédito. Ou seja, o valor do patrimônio coletivo, foi capturado e agora está sendo chantageado e usado para o benefício do privado. Na verdade, é o maior e mais bem protegido jogo-sujo-velado, fruto do cinismo humano em curso.

De tanto estarmos envolvidos, inertes, os nossos sentidos já nem percebem mais. Tentar explicar tamanha insensibilidade “generalizada”, é como informar ao peixe que ele vive na água: Vão dar risada da sua cara! Nem mesmo, com a ilustração infantil, simbólico-comparativa, do: Lobo Mal que engana a Chapeuzinho… seria capaz de tirar o povo escravo, deste hilário sono consumista platônico.

Um dos argumentos dos banqueiros, via defesa maçante do BC, é que o crédito direcionado, vindos do: (BNDES, FGTS e Caderneta de Poupança), é o grande culpado do alto Spread, dado que tem gente pagando meia entrada, e portanto para os reais pagantes, o ingresso por fim, custa o dobro. Isto vem sendo alardeado pelo BC e seus asseclas como se fosse verdade, porém não procede, dado que somente as tarifas e serviços bancários, praticamente já cobrem os custos operacionais das agências (mais de R$ 100 bilhões/ano). Agências que aliás, vêm sendo reduzidas em quantidade, drasticamente com o uso da internet, que somente em 2018 mais de 500 agências já foram fechadas e cerca de 7.000 funcionários, já foram dispensados somente em 2018. Também a tecnologia, vem baixando o custo de captação. E por que, mesmo com este ambiente microeconômico favorável, o Spread Bancário só aumenta? Logo, a taxa de Spread denuncia que a taxa de lucro líquido, varia para garantir, essencialmente, um volume mínimo de lucro aceitável, predefinido pelos Bancos. Com o agravante, do Spread total, efetivo, independente da margem nominal divulgada, pesa em cadeia, sobre todas as operações dos tomadores de crédito.

O ex-presidente do Banco Central do Brasil e sócio do Itaú, o Sr. Ilan Goldfajn, promoveu um seminário em Brasília, com a participação e apoio do Gustavo Loiola, Armínio Fraga, mediado por João Borges da TV Globo, a alta direção bancária brasileira e a “imprensa especializada”, para estabelecer convenção, que a INADIMPLÊNCIA no Brasil é a principal responsável pelo alto Spread, respondendo por mais de 53% no peso, quando os relatórios oficiais do próprio BC, registram o patamar real de pasmem: 3%. É inacreditável. Sujeitos abusados! Cínicos inveterados.

Salta aos olhos identificar tamanho atrevimento para disfarçar aquilo que consta nos relatórios oficiais do crédito no Brasil, produzidos e registrados pelo próprio BC, onde registra-se que o Spread real (Crédito Direcionado) é de 4,5%a.a. e o Spread praticado sobre o (Crédito Livre), sem regulação, ainda está na casa abusiva dos 32%. (Média do Spread que os quase 90 bancos operam no Brasil, se apartado os 5 maiores bancos brasileiros, a coisa é ainda pior). Em resumo, o Crédito Livre médio, é 711% maior que o Direcionado.

Mesmo diante de tudo isto, praticado a “luz do dia”, ainda há nas redes sociais, muitos eleitores iludidos, insistentes na prática do Viés da Confirmação, apaixonados ideológicos, sustentando a escavação na abertura duma cova coletiva que vem enterrando de vez o Brasil. Defesa equivocada, do que não sabe-se bem sequer os: agentes, motivos e meios. A menos que o plano destes voluntários subservientes, seja didático ou purgatório. Contrastante, diante da retomada da escravidão voluntária, agora cada vez mais digital (mais barata e controlada remotamente pelos senhores da colônia latifundiária do Brasil S/A).

Registra-se também, que é verdade que os bancos, tem resultados artificiais, mascarados, (pedaladas contábeis), dado que repassam seus “prejuízos” da Taxa de Recuperação dos créditos podres, às Empresas Borboletas, quem vem ao mundo, de forma romântica, apenas para absorver tais prejuízos e limpar a contabilidade destas instituições financeiras. Inclusive e em destaque, aquelas estatais, que limpam o sangue das privadas, cinicamente. Tudo muito artificialmente. Sem protestos. Num verdadeiro golpe.

Num ponto todos concordam, programas como o Bolsa Família, geraram um fator multiplicador da renda na nossa economia, do lado da demanda (consumo) chegando 1,7x o valor aplicado. Porém, dizer que o saque e concentração dos altíssimos ganhos bancários, via Spread, estão atravancando a economia, não! E agora como a “vitória ideológica” do inconsequente Liberalismo Torto então? Uma coisa é uma coisa… outra coisa é outra coisa. Se estão misturando, é porque têm propósito contratado, por trás.

Há quem forneça pistas da direção contrária, apenas para confundir, pois, a concentração bancária, é sim um fato-problema, onde apenas os 5 maiores bancos, num universo de cerca de 90 atuantes no país, concentrem cerca de 81% do crédito. Mas, esta concentração, não tem a ver necessariamente com o custo efetivo do crédito. Ao contrário, poderia até em certa medida favorecer a redução do Spread. A questão real, trata-se da falta de concorrência efetiva, onde um, copia as taxas de juros, tarifas e “critérios padrão”, uns dos outros.

Sem dúvida, trata-se de prática de oligopólio mesmo, com a captura e benção do Estado, suportado pela conveniência: da grande mídia patrocinada, dos economistas-advogados-ideológicos e dos comerciantes (empresas), que funcionam como capatazes de boca de fumo. Todos, vigilantes contratados-beneficiários, posicionados estrategicamente, e de plantão, prontos a reação imediata as ameaças.

Para aqueles que ainda não se deram conta do tamanho da encrenca, e prejuízo causado aos brasileiros, PF e PJ, devem juntos R$ 5,6 trilhões (79% do PIB), sendo R$ 3,3 trilhões registrados no BC. Somados todos os créditos correntes no Brasil empresas + famílias + governos, juntos este valor já ultrapassa R$ 9,9 trilhões (141% do PIB). Risco sistêmico eminente já que só temos nos utilizado do expediente do Quantitave Easy, (Afrouxamento do Agregado Monetário) que soma R$ 286 bilhões. Lembrando, que a Massa Salarial Mensal dos brasileiros soma apenas R$ 212 bilhões, e o Ativos dos 90 Bancos Brasileiros, já somam R$ 56.350.670.554.840,00 ou 8,2x o PIB-2018. Sendo que parte dos devedores carregam dívidas de até 14,3% ao mês, o equivalente a 497% a.a. como é o caso que quem está rolando a dívida PF no rotativo do “cartão de crédito”.

Em resumo, os bancos brasileiros, são os mais caros do mundo, (perdem apenas para Madagascar, na África) são concentradores do crédito, do lucro e da renda nacional, têm aversão ao risco e fundamentalmente à perdas, pagam efetivamente pouco em impostos (sobre o lucro apurado por eles mesmos), preferem ganhar no fácil, em especial nas costas do governo e do povo, via Sistema da Dívida Pública e alto Spread arrancado dos indefessos (pessoas físicas pobres e micro empresas). Covardes. Malandros. Sanguessugas. Estabelecem um volume mínimo de lucro, independente das variáveis que compõe o custo embutido no Spread. Atuam de forma oligopolizada sob a benção do BC, alugam falsos economistas-advogados num cala-boca, via grande mídia subserviente de plantão.

Destacar, que os ditos bancos brasileiros, não é mais uma verdade a tal condição e iniciativa brasiliana! Desde a abertura do capital acionário dos “nossos” bancos… não se sabe mais quem são de fato os verdadeiros donos e controladores destes. Ou seja, sequer temos o direito de saber de onde vem o tiro. Situação Witzelminosamente esdrúxula, consequência do Caos Político-ideológico que atravessamos ultimamente.

Abaixo, um exemplo concreto do Spread Bancário, em pequenas cidades no sul baiano: Um Sistema de Transferência de Propriedade coletiva para o particular, beneficiário desconhecido.

O alto preço do Spread Bancário e a concentração da renda e do crédito, juntos têm sido, sem dúvida, os maiores entraves a retomada do crescimento da nossa economia, que contrastantemente, é essencialmente circular! Sem giro, a bicicleta não terá equilíbrio natural.

Como se não bastasse terem levado(ando) nossas riquezas minerais, agora sequestrarem nosso dinheiro-crédito?

Aguardemos, o caminhão internacional está vindo ladeira abaixo… salve-se quem puder!

Por último, dizer que a Educação Financeira, objetiva-efetiva, se bem ensinada, inteligente e sabiamente, até que poder-se-ia aliviar a dor.

Para os mais astutos, sugiro assistirem aos vídeos abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.