Economia Política: SOCORRO Ipiaú aos 86 anos de idade e ainda tem bancos sequestrando nosso futuro, silenciosamente

Se tem uma inquietação relativa ao custo de oportunidade, (como pulga atrás da orelha, que ronda a cabeça dos economistas, ingênuos ou de primeira viagem) num país do hemisfério sul, que só fala português, é: – Por que, tendo tanto dinheiro em caixa, os bancos deste país, preferem esteriliza-lo depositando está fábula de recursos (R$ 1,3 trilhões) em operações compromissadas no Banco Central, do que emprestar “legalmente”, à taxas estratosféricas, como é o caso daquelas praticadas, em especial, contra os pequenos, sejam eles PF ou PJ do tipo ME, MEI e EPP?

Em termos técnicos, a mesma pergunta se faz duma outra forma: – Por que estes bancos mantêm um índice de alavancagem financeira tão baixo, a ponto de atingir o nível de 1/10 daquele praticado na era do Planos de Metas do JK(laaaá no início da abertura econômica brasileira, e da América Latina em geral).

Na cena teatral-crítica, a fala dum vampiro num pais do hemisfério sul, que só fala português; seria: o Chico Anísio fantasiado com uma longa capa preta, (tal qual uma toga) ao lado do seu ajudante-filho, que segura uma abobora podre, em programa “popular” humorístico na Globo… cuspindo para o lado, fecha o zoom, proferindo: – Capitalistas brasileiro… quaaar!

Se tem uma explicação teórica que invariavelmente todas as escolas de Economia rezam, é que a moeda, é de fato dinheiro, desde quando cumpra no mínimo as três funções abaixo:

1)   Meio de troca (instrumento “corpóreo”, intermediário físico ou digital, estrategicamente usado na troca momentânea, entre as mercadorias e serviços);

2)   Unidade de conta (usada referencialmente nas trocas; ou seja, instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas, quantidade para definição dum preço); e

3)   Reserva de valor (“manutenção” no tempo, do poder de compra, como forma de se medir a riqueza, valor relativo entre dois mundos: O dos bens e serviços e o do dinheiro, ou ainda: Economia Real versus a Financeira).

Tudo bem para as duas primeiras definições… Porém, a moeda em si, cumprir o papel de Reserva de Valor, no tempo? Huuum! Esta nunca engoli.

Penso que deveríamos rever este conceito e passar a considerar, que Reserva de Valor se dá em verdade, nos valores registrados e percebidos em suas mutações relativas reais, no tempo, nos Balanços Patrimoniais das companhias e governos, e, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Físicas. (ou similar/equivalente).

Situação idêntica, tal qual quando do acerto de contas do pedreiro que trabalhara na base da produção, a noite; ou, da empregada doméstica compensando hora nos feriados. Quando na tentativa do contratante em pagar o prosaico valor, diriam: – Me engana que eu gosto!

Apertem o cinto, antes de prosseguirmos, cabe alertar aos navegantes, acerca da distinção fundamental entre a Moeda e o Dinheiro!

O dinheiro em si deve ser um bem escasso, enquanto a moeda, não! Muitos itens podem ser usados como moeda, desde metais e conchas raras até cigarros entre os presos, ou coisas totalmente artificiais (digitais) a exemplo do atual débito/crédito bancário. Em épocas de escassez de meio circulante, a sociedade procura formas alternativas para contornar o problema gerando outras formas de se ter dinheiro. Na emergência, o importante é não perder o poder relativo de compra (da sua turma). Momentaneamente, pode-se substituir o dinheiro governamental por: cupons, passes, recibos, cheques, vales, notas promissórias e letras comerciais, entre outros.

Na sociedade ocidental moderna o dinheiro é essencialmente um símbolo – uma abstração, convenção social “aceita” (cada vez mais digital e sem lastro material), contrário ao que já foi no passado (até o fim do acordo de Bretton Woods em 1971). Atualmente as cédulas de papel são o tipo mais comum de dinheiro utilizado. No entanto, bens como o ouro e a prata mantêm muitas das características essenciais do dinheiro, mesmo sendo essencialmente moeda.

Em resumo, o papel moeda impresso pela casa da moeda, só passa a ser considerado dinheiro quando o CMN determina, a Casa da Moeda imprime, o BCB autoriza e os bancos comerciais põe em circulação efetivamente.

Exemplo prático: caso um grupo de milicianos no RJ, queira emitir moeda e usá-la na forma de dinheiro, poderá ser atacado e contido pelas forças policiais do governo brasileiro, o qual detém o monopólio da violência. Logo, por conseguinte, pode-se dizer que a validade e prevalência da moeda oficial, numa zona comercial compartilhada, está baseada na força e monopólio estatal da violência. Em outras palavras e esfera, a moeda triunfante num pós guerra, nunca será a dos vencidos.

Em termos conceituais sociológicos, para Ferdinand Lassalle, teórico do direito, escritor e político alemão de origem judia, considerado um precursor da social-democracia alemã, esteve envolvido na Revolução Prussiana de 1848, disse: – “A Constituição Escrita de um país, é apenas um pedaço de papel. E a Constituição de Fato, é a soma dos Fatores Reais do poder.”

A Economia, é a plataforma onde as disputas socioeconômicas reais ocorrem. Senão, como explicar que ainda em 2019 persiste, o debate no Brasil, se se prende ou não, uma autoridade em segunda instância, quando cerca de 60% dos presos são pretos e pobres, e 40% destes, sequer tiveram condenação, e ainda continuam diuturnamente sendo presos, país afora, sem julgamento, processo, cerimônia e/ou contestações reativas reais?

Não é à toa que na praça dos três poderes em Brasília está presente o STF. O judiciário não é alheio, exógeno a este poder! Mas sim, faz parte do núcleo das forças institucionais do poder estatal-real (efetivo). Daí, resta saber o que é em essência, esta tal Economia, efetivamente, senão a plataforma das reais disputas políticas, materiais, positivista-legais duma sociedade.

A moeda é pois, apenas uma atriz, no meio destas disputas políticas; uma figurinha, que carrega neste enredo valores exógenos a ela própria. É em fim, apenas o valor de face, nominal; do dinheiro na forma de sentença, congente e heterônima.

Ufa! Voltemos ao cerne do debate. Ao retirarmos nossas cédulas debaixo do colchão e depositá-las num banco, esse dinheiro, passa a exercer um papel central, ático, na produção da riqueza relativa e na consequente apropriação do valor relativo intrínseco, e no acesso seletivo aos bens e serviços financiados, em especial, no custo e seleção social na concessão do crédito.

Quando o banco concede empréstimos preferencialmente às multinacionais e aos grandes grupos econômicos, a um custo relativamente baixo, e aos pequenos, juros comerciais muito altos… é sim, uma forma de conferir vantagem competitiva a um, em detrimento de outro, e portanto, está agindo politicamente na transferência de riqueza de uma classe à outra. Caso ipsis litteris ao eleger como beneficiárias do crédito, aquelas empresas as quais pertençam ao mesmo grupo econômico do próprio banco, ou ainda, aquelas as quais os bancos detém cotas de ações empresariais em sua carteira de renda variável. Renda variável? Oh! como varia relativamente!

Fonte: BCB. Estas informações são privilegiadas e de extrema importância para a compreensão do Sistema Financeiro Operante em Ipiaú-BA (2019).

No caso da economia de Ipiaú, é flagrantes a expropriação de recursos desviados do crédito local para fora da cidade (R$ 46 milhões). Situação flagrante onde os bancos públicos têm injetado recursos na praça, principalmente via financiamentos imobiliário e rural, enquanto que os demais bancos (exceto o BB), recolhem de volta estes recursos ou emprestam à pessoas físicas, destinado ao consumo e outros créditos, à altas taxas de juros comerciais, ou ainda, leva-os para fora do município, expatriando-os silenciosamente, para financiar grandes grupos forasteiros, comerciais e financeiros, os quais virão firmes e fortes nos esfolar em domínio comercial, financiados pelo nosso próprio suor.

Inquestionavelmente! Pois, se o dinheiro despejado pelo banco do Brasil e CEF, não foram parar embaixo dos nossos colchões… Estão, os demais bancos estão levado o nosso instrumento local de concessão de crédito.

Se bem tivéssemos capricho, honradez, bons procedimentos, zelo e inteligência coletiva financeira, não teríamos o prédio da Santa Paula parado a mais de 3 décadas, fábricas de chocolate por construir e exportar, Polo Fruticultor Processador para consolidar, fazendas de cacau para recuperar; enquanto todos dormem sonhando, na esperança do poder público “maior”, vir nos carregar no colo, sem sequer termos ciência da expropriação passada, presente e futura.

O Bradesco tem funcionado na economia de Ipiaú, como um banco parasita, onde e quando tem dado zero de crédito imobiliários e rural… São eles sim, um dos culpados pela nossa estagnação produtiva. O que é isto, senão captura da nossa poupança, e última oportunidade de viabilidade financeira da produção local de bens e serviços (riqueza) em nosso desfavor, claro. POIS, O DINHEIRO CIRCULANTE NOS BANCOS, NÃO SÃO DELES! Mas sim, de todos nós, os depositantes.

Precisamos de bancos que explore a nossa poupança, em benefício do desenvolvimento microrregional, local, tal qual como foi baseado o desenvolvimento da Alemanha, EUA e tantos outros países hoje desenvolvidos.

Igual ou maior efeito real, teríamos com a implantação da nossa Moeda Social Local. Mas isso é tema caro, complexo, providencial, e, carece de tempo, MEMBROS CONSCIENTES e oportunidade para tratarmos com a merecida propriedade.

Nesses 86 anos de emancipação político-administrativa de Ipiaú, em verdade, temos muito pouco a comemorar, no que tange a INTELIGÊNCIA COLETIVA. Em parte, este é o preço que estamos pagando por não sabermos administrar as nossas diferenças e caminharmos propositivamente via Cooperação e Associativismo programático-objetivo. Infelizmente, a maldita pompa burguesa de araque, do saudoso Rio Novo, ainda vive e persiste em cada um de nós. Peço encarecidamente as almas ainda “vivas”, de mente aberta e vigilante, que lutem pela causa socioeconômica libertária!

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como reflexão complementar a leitura

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.



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