Economia Política: O pior cego é o ideológico

O título deste artigo, talvez fosse mais claro se questionasse: – Você sabe a diferença entre ser proprietário e ser o PRÓPRIO-otário brejeiro, teleguiado, ensimesmado?

Quando estourou a Revolução Russa de 1917, (série de eventos políticos, via luta armada, que culminou na eliminação da autocracia russa e depois, inclusive, do próprio Governo Provisório, tal qual a Revolução Francesa de 1789), resultando no estabelecimento do poder soviético sob o controle do partido bolchevique; houve enfim a libertação da economia local, dum modelo atrasado e dependente da agricultura de subsistência, até então, um modelo enaltecido coletivamente, que resultava em poucos proprietários-improdutivos “beneficiários” do velho sistema…

Em reação a Revolução Russa de 1917, em 1918, o alto comando político-econômico dos EUA, rapidamente recauchutou, o seu sistema de hipoteca habitacional, o qual implantou o sistema financeiro para aquisição de centenas de milhares de moradias para uma população preta e/ou pobre, até então, excluídos do acesso a casa própria.

VACINA IDEOLÓGICA que formou “naturalmente” um cinturão interno, instintivo-defensor da propriedade e dos costumes americanos. Jogada de mestre! De baixo custo inclusive, dado que nada foi de graçaPelo contrário, este modelo foi implantado a base de pagamento de juros bancários, bancados pelos próprios “soldados” recrutados a guerra ideológica-reativa!

Segundo o piauiense-candango Paulo José Cunha: poeta, jornalista, professor e documentarista que vive em Brasília desde a década de 70, nos ensina que – O pior cego, é o cego ideológico! Linha tênue, ao andarilho de terras e opiniões alheias, sem siso ou destino próprio, segue sem saber ao certo, a diferença entre – Ser proprietário ou ser o PRÓPRIO-otário pseudo beneficiário dum sistema anti-desenvolvimentista.

John Kennedy já observava: “Quase sempre preferimos o conforto da opinião ao desconforto da reflexão.” A cegueira ideológica é uma praga que não para de crescer nunca, em tempo e lugar.

No caso recente brasileiro, de certo modo, numa perspectiva antropológica, já era esperado que os antigos eleitores dos partidos de esquerda, quando se sentissem firmes proprietários, sim, estes se rebelariam contra o próprio movimento-elevador, na esperteza e uso intuitivo da auto proteção material conquistada. Todos os proprietários fizeram isto na história: – Chutar a escada, depois de ter usado e abusado desta, para que os demais iguais, não lhe alcancem. Afinal, o cérebro não pensa, compara! E riqueza é relativa. Em outras palavras, o indivíduo, intuitivamente sustenta a ideologia, do seu momento e lugar presente, e não, o da sua origem!

De certa forma, funciona segundo a lógica-“ameaça” de que os que estão abaixo de si, querem o que é seu, ou, – “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”… Mesmo que este seja um canalha.

A forma como alguns partidos brasileiros que se autodenominam de esquerda encaram a atual situação de Cuba e da Venezuela, acaba sendo uma prova viva disso. Se combater os EUA, torna Maduro “contra” a direita, logo, Maduro merece apoio incondicional. Mesmo que Maduro venha a ser também um canalha, conclui o professor.

Seguindo o raciocínio, o prof. Paulo afirma que os partidos brasileiros que até outro dia mereciam o apoio da população pelo seu histórico de luta e rebeldia, embarcam em defesa de posturas que namoram com a insanidade, e, vão pra cama com o autoritarismo, além de ultrapassarem o senso do ridículo. Seja de direita ou de esquerda, a responsável por essa visão distorcida e insana da realidade fática, tem nome e sobrenome: chama-se Cegueira Ideológica.

E muito mais fácil-propenso é adotá-la em benefício próprio, dado ao conforto da ideologia, do que conviver com o desconforto da reflexão pragmática (seja qual for o lado político-partidário). Os partidos que coadunam com a farsa do Maduro, ou do Trump, sabem que devem e precisam, mas não querem mudar de ideia. Doido, anormal é quem tem ideias fixas. Gente normal registra, mede, avalia o caso concreto, muda de ideia, evolui e avança. Mas, se o pior cego é o que não quer ver, o cego ideológico odeia e combate reativamente com veemência quem quer enxergar. Afinal, a merda tem 3 propriedades. Uma contra e duas a favor da inércia. Que são: Se por um lado a merda fede, por outro, é macia e quentinha.

No Brasil atual, os radicais eleitores do Bolsonaro, embarcaram numa onda ideológica, raivosa, insana, baseada na defesa da propriedade e dos “costumes”. Reparem que eles no fundo (atualmente) tem o próprio Bolsonaro, como um soldado velho, despreparado, fraco-irracional… porém, capaz de representar os seus interesses imediatos “escondidos”.

É simples: – Em verdade, estão defendendo aquele que defende seus interesses. Até que lhe seja útil, claro.


Se tem uma crença que tem corroborado para a estagnação Econômica da Região Cacaueira, é justamente a ideologia ultrapassada de continuar sendo “proprietário” de fazenda de cacau, mesmo que esta lhe seja de fato: mais custo, carrego de dívida, negócio precário e decadente, do que viabilidade econômica, para si, e para todos os afetados pela crença num velho e falso status, que já não tem mais sentido ou utilidade prática de perpetuação. Estoque de ex-riqueza, que já não gera um fluxo financeiro sustentável. Fazendas minúsculas, de baixa produtividade e péssima gestão. Monocultura incapaz de provocar o real desenvolvimento sustentável a si (proprietários), e menos ainda, para os pequenos (trabalhadores) afetados. No momento, um peso para toda uma economia microrregional.

Contradição gritante, em tempos em que o consumo per capto de refrigerante cai significativamente, e o quilograma da poupa de fruta já ultrapassa os R$ 20/kg, nos supermercados do sudeste… Continuamos crentes no velho discurso em favor da inércia: – Este ano o cacau vai ressuscitar, vocês vão ver!

Já passou da ora (momento histórico) da Região Cacaueira rever o modelo de exploração Econômica do potencial natural que Deus nos deu. De forma inteligente, e que possa haver um desenvolvimento coletivo e justo. Urge a implantação de um novo modelo inteligente de gestão consorciada, acessível, aberta, adequada, aos novos tempos, valores e práticas sustentáveis e competitivas. Não apenas a um proprietário, mas a todos os que dedicam e consomem suas vidas neste negócio econômico e social.

Reagir com a velha máxima: – A propriedade é minha, eu faço dela o que eu bem quiser, ninguém tem nada com isso… é o mesmo que intempestivamente ainda ter entre nós o coronel Leôncio abusando da “sua” escrava Isaura, ou, acreditar que a terra é plana e cabe no seu próprio umbigo. Não entendeu o que vem a ser essa tal Economia aberta, pujante e libertadora de verdade. Estamos numa era, onde o Fluxo de Riqueza, vale mais (objetivamente) do que o Estoque! Economia do Uso, e não da propriedade em si. Para que lhe interessa a propriedade, objetivamente? Você já parou para observar como auferem altas rendas os investidores em Ações de Cias de capital aberto, e o que isso resulta aos seus países?

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp

Para os mais astutos, sugiro assistirem aos vídeos abaixo, como reflexão complementar a leitura.