Economia Política: A Política como versão dirigida da realidade

 

Na antiga Grécia, Aristóteles, 350 a.C. já dizia – “O homem é naturalmente um animal político”.

Em Jerusalém, na própria era cristã, Jesus disse – “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Na Inglaterra, Thomas Hobbes, 1650 d.C. disse – “O homem é o lobo do homem”.

E no Brasil em 1960, Roberto Campos disse – “A inveja é o mau hálito da alma”.

Caetano Veloso disse em 1974, – “Narciso acha feio o que não é espelho”.

E ainda, nos anos 2000, Eduardo Galeano disse – “Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus”.

Na prática “moderna”, a Política é: (do Grego: politikos, que significa aquilo que está relacionado a, ou integram a Pólis”) a arte ou a ciência da organização, direção e administração de Nações ou Estados; a aplicação desta ciência aos assuntos organizacionais de governos, na sustentação ideal e apropriação material, do proveito dos frutos do seu povo, a sustentar o Estado através da divisão das classes e funções incumbentes.

Lembrar que Política e Religião, estatais, nasceram de moleiras interligadas – Siamesas ligadas pela cabeça – E ainda hoje, de certa forma, usamos a velha maneira de pensar herdada da antiga confusão simbiótica. Operação de cisão ainda não conclusa por completo em pleno século XXI.

 

A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em classes sociais funcionais coercitivas, nas cidades-estado chamadas de “pólis”, nome do qual se derivaram palavras como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas europeias modernas através do francês “politique” que, em 1265 d.C. já era definida nesse idioma como “ciência dos Estados“.

Se bem mensurada, a recente história da humanidade, nos últimos 3 mil anos, é na verdade a história do dinheiro-poder, criados pela Política Original e ancorada na inveja, na disputa individualista da propriedade material, ostentação e falso egocentrismo, subserviente ao sistema, costumes, e, ao materialismo contemplativo desvirtuante. Platônico para a maioria, seletivo segregacionista, legalista e garantista para os operadores originários da política.

Na era moderna, a Política Original conseguiu confundir Deus com o Dinheiro. Onde até a forma plástica do Banco Central do Brasil, carrega consigo este ícone. Uma Cruz em segundo plano, sustentada por quatro pilares funcionais estruturantes. Vide a planta aérea do BC-DF.

A Política tem no mínimo 3 divisões, bem definidas, denominadas pelos cientistas sociais, de – clivagem. Divisão implícita em que nem todos conseguem ter acesso cognitivo fácil. Que são:

1)  Política Original ou Estrutural (acesso e formulação restrita aos donos da banca, a cúpula dos governos e as sociedades secretas);

2)  Política Operacional ou Institucional (operação dos agentes políticos do baixo clero e dos oficiais: juízes, polícia…); e

3)  Política Social ou Coercitiva aos comuns (incidência e aplicação sobre o “conjunto” da sociedade coercitivamente).

É como uma cebola e suas camadas… Quanto mais ao centro, mais ardida. Insuportável aos lambedores de açúcar!

A Política Original ou Estrutural, criou a Religião, o Dinheiro, o Direito, o Estado, as Cidades, o Consumismo, o Ensino Estatal e os Bancos… Todos, com propósitos bem definidos, a serem perseguidos.

A Política Operacional ou Institucional, criou as Instituições, as Leis, a Comunicação institucional… Todos, como objetivos organizacionais controlados.

A Política Social ou Coercitiva aos comuns, criou de forma Coercitiva direcional, a divisão do Trabalho, as classes sociais, os Valores das coisas e pessoas, a Cultura, a Notícia, a licença de operação… as quais todos estão submetidos em seus efeitos, através dos meios e resultados gerenciáveis.

E sem dúvidas, a forma mais eficaz de implementação e gestão dos propósitos da Política, é operada pelo sistema de Comunicação, sistema Econômico-financeiro, Costumes, Crenças e do Conhecimento Comum útil.

Comunicação é um processo que envolve a “troca” de informações entre dois ou mais interlocutores por meio de signos e regras semióticas “mutuamente” entendíveis (porém não bem compreendida em toda a sua totalidade). Útil, prática. Trata-se de um processo social primário, que permite criar e interpretar mensagens que provocam uma resposta ou obediência funcional em favor do sistema dominante.

Já o Conhecimento (do latim cognoscere, “ato de conhecer”), como a própria origem da palavra indica, é o ato ou efeito de conhecer e torna-lo útil. Exemplo: conhecimento das leis; uso do dinheiro, descrição comum de um fato; reconhecimento de um documento; instrução disponível num cabedal “científico”; informação ou noção adquiridas pelo estudo baseado na experiência.Por fim, é uma linguagem, onde nos inteiramos suportando o comum útil. Na foto: – Uma espécie de isca de anzol. Lançou, mordeu, puxou, processou… fritura garantida.

No conhecimento temos dois elementos distintos, muito importantes de serem destacados: o sujeito (cognoscente) e o objeto(cognoscível). O cognoscente é o indivíduo capaz de adquirir conhecimento ou o indivíduo que possui a capacidade de conhecer. O cognoscível, é o que se pode conhecer.

O tema “conhecimento” inclui, mas não está limitado a descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios e procedimentos que são úteis, e portanto, considerados “verdadeiros”. O estudo do conhecimento é a gnoseologia. Hoje existem vários conceitos para esta palavra e é de ampla compreensão que conhecimento é aquilo que se sabe sobre algo ou alguém. Isso é um conceito menos específico. Contudo, para falar deste tema é indispensável abordar o que vem a ser dado, e, informação… em separado do que vem a ser conhecimento e sabedoria. Degraus, que podem lhe levar ao supremo.

Dados, são registro de fenômenos concretos. Informação, é uma conjunto de dados úteis organizados e práticos convencionados. A junção de ambos, forma o “nosso” conhecimento.

Para melhor entendermos o que vem a ser o conhecimento, na relação Sujeito-Objeto, imagine as cenas a seguir, considerando:

De dentro dum apartamento, na beira da janela, no terceiro andar, olhando para a rua, onde lá em baixo se encontram umas crianças brincando, entre uns veículos estacionados. Chamados a janela, para descrever o que percebem, cada um dos 3 sujeitos abaixo, vestidos de seus personagens; pede-se descreverem o que veem:

Sujeito 1 – A tia velha e rabugenta, diz – pestinhas brincando próximo ao meu carro. Não demoram arranhá-lo;

Sujeito 2 – A jovem formosa, diz – moleques, quando eu passar, vão me assoviar em desrespeitoso e assédio;

Sujeito 3 – A criança de mesma idade e classe social, diz – meus amigos! Quero descer para brincar com eles;

Repare que a descrição foi diversa e leniente com o sujeito e seus interesses de ação em defesa do seu próprio interesse imediato.

O escritor e empresário suíço Rolf Dobelli, nos ensina que ao analisar o que está “de fato” acontecendo ao nosso redor, sempre interpretamos com um viés próprio – Viés da Confirmação. E diz que até mesmo a história verdadeira não passa de subjetiva, pois a “provamos como provamos roupas”, aprovando ou rejeitando aquela que nós serve e convém no tempo e lugar, ainda que tenhamos de fazer alguns malandros ajustes. E reafirma – A vida é uma confusão, pior do que um novelo de lã. Imagine um marciano invisível que caminha todo o tempo ao seu lado com um bloco de notas igualmente invisível na mão e anota tudo que você faz, pensa e sonha. A ata da sua vida consiste em observações como “tomou café e usou dois cubinhos de açúcar”, “pisou em uma tachinha pontiaguda e amaldiçoou o mundo”, “sonhou que beijava a vizinha”, “marcou a viagem de férias nas Maldivas, custou os olhos da cara”, “pelos na orelha que arrancou na hora” e assim por diante. Ao final de um recorte de tempo, trançamos esse caos de detalhes em uma história. Qual história entre mil? Para qual finalidade útil?

Por fim, voluntaria ou involuntariamente, queremos que a história de nossas próprias vidas, ou grupo, forme um cordão que possamos seguir. Muitos chamam esse fio condutor forçado, de “sentido”. Se nossas histórias corre durante anos em “linha reta”, passamos a chamá-la de “identidade”. Assim, deturpamos a realidade, empacotamos e enfiamos numa caixa comum. Fato este, que prejudica a qualidade de nossas percepções do caso real. Como contramedida: pense em cada história possível, separadamente. Pergunte a si mesmo: o que essa história está querendo esconder, ou, prevalecer? E, para treinar este novo olhar, desnudante, isento, tente ver sua própria biografia fora do contexto costumeiro. Você vai se surpreender!

Assim, acabamos por sustentar uma série de práticas e valores que na verdade não são verdadeiramente nossos. Também, sequer são necessariamente fatos, ou ainda, verdadeiramente úteis a nossa real história.

A política nos faz obedecer aos costumes prevalecentes, seguir e sustentar versões preestabelecidas e classificadas. Tudo isso tem uma intensão original, a qual não foi você quem a criou ou percebeu ou mediu, extraindo do fato.

De forma relacionada e conclusiva, podemos exemplificar, que o Dinheiro NÃO é raro e muito menos é o que de fato se diz representar. Assim como a versão midiática do fato político no noticiário sobre os motivos da queda da bolsa ou da consequência do que foi revelado dos celulares dos operadores da Lava-Jato… O Dinheiro a cotação da Ação na Bolsa ou o sentido maior (bom ou mal) da Lava-Jato, tudo tem valor sustentado por aqueles que tem algum interesse objetivo útil. Aí você vai dizer – tudo bem, pois nos tem sido necessário e útil. As perguntas que ficam são – de que forma, quantidade, condições e fundamentalmente a quem por fim servem?

O principal meio da ação coercitiva da política, é sem dúvida a Comunicação Dirigida!

Você já se perguntou por que as notícias na TV aberta, são muito iguaizinhas (até as imagens da reportagem, muitas vezes, são exatamente as mesmas). Há uma concentração dirigida. Há um propósito maior, agendado. Novela com início, meio e fim. Sentido pré-moldado imposto pela frequência e intensidade.

Você acha natural por exemplo, um país rico se apropriar dos minérios, produção agrícola e do petróleo, de um outro país pobre, pagando um valor muito baixo e ainda fazer o país fornecedor, entregar suas riquezas sem poder usar o dinheiro da venda e portanto, ser “obrigado” a usar esse dinheiro  na comprar da dívida do país comprador (títulos públicos – papel emitido a partir do nada), sendo remunerado a juros de cerca de 1% e inflação de 2,5% ao ano (no território do comprador), enquanto internamente (sede do fornecedor) paga-se juros de 14,25% e inflação de 10,67% ao ano, simultaneamente. Agora pare e pense, você faria em sã consciência um negócio desse? E por que achamos normal, o que vem acontecendo no Brasil? De onde vem este viés e padrão mental? Como nos atinge em tamanha inércia e distorção dirigida?

A pergunta que fica é: – Como conseguir incutir valores e versões da “verdade”, capazes de praticarem tudo isto em plena luz do dia, sem queixas e ainda posando-se de herói e de exemplo a ser seguido. Situação, que um morsego, só consegue tarde a noite (chupar o sangue da reis enquanto a abana).

Ou seja, o país mais pobre acaba por investir seus poucos recursos, para extrair o petróleo, entregar na porta do país dominante, “receber” e já aplicar; lá mesmo, o valor em títulos, sem poder trazer para casa o dinheiro da operação mercantil.

Aí você cheio(a) de dúvidas, questiona, pera lá… mas neste país fornecedor não tem governo, jornalistas, economistas e povo? Daí, dá para entender, a que e a quem serve a cultura, a ideologia, o noticiário e o ensino estatal correntes. De certo modo, até a inércia conformista e/ou isenta da religião, corrobora “indiretamente” para as práticas correntes.

Sem maiores definições, apenas para ilustração, saiba, que o Brasil, por exemplo, já acumula S$ 378 bilhões de dólares de reservas externas, esterilizados em títulos do governo dos EUA.

Fonte: Banco Central do Brasil.

 

William Shakespeare, se é verdade que ele próprio de fato existiu, dizia – “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. E agora então constatamos – Entre o sujeito e o objeto, cabe um mundo…

Qual?

O que lhe enfiam goela abaixo, ou o “seu”?

Quer saber qual é o mais real?

Duvide sistematicamente e meça-o constantemente!!!

Para os mais astutos, sugiro assistirem aos 2 vídeos abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp