Economia: DINHEIRO – O amigo facilitador é ao mesmo tempo o mágico trapaceiro!

 

Imagine se ainda hoje na nossa Economia, não existisse o Dinheiro, como meio de troca e o comércio ainda se desse através do Escambo (troca direta de uma mercadoria por outra sem a utilização de dinheiro)… duvido que os governos conseguissem facilmente, arrancar mais da metade da produção (renda) dos mais pobres e entrega-la nas mãos dos mais abastados, sem protesto, derrame de sangue, muita luta e violência.

No entanto, através do dinheiro, tudo é possível, pacifico e cínico, sem que se perceba a mágica. Logo, tudo é possível via um sistema monetário estatal legalizado, onde o dinheiro é o veículo facilitador do acesso a produção alheia e ao mesmo tempo, o mágico trapaceiro destinador estruturante!


Segundo estudos da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA-DF), os trabalhadores que ganham até 3 salários mínimos, arcam por fim, com 54% da sua renda com tributos. Isso se dá por um emaranhado, dissimulado e complexo sistema tributário, que através de distorções duma carga tributária regressiva, garante a façanha. Quando por fim, na forma da lei, os mais ricos arcam proporcionalmente com menos tributos que os mais pobres.

Sob este esquema, os bancos lucram cada vez mais, o governo federal concentra cada vez mais receita tributária em Brasília, beneficia as grandes corporações com isenções, em especial as transnacionais; e, as pequenas cidades, ficam economicamente, cada vez mais dependentes e pobres.

Sem reação e prerrogativa efetiva a retomada duma produção local, de pires na mão, as pequenas cidades, ficam cada vez mais a mercê das jogatinas legislativas através de troca de favores com o executivo, recebendo promessas vazias e migalhas inépcias, imorais, condicionadas e aliciantes.

Como se não bastasse, ainda há os donos do poder local, que em grupo se apoderam dos recursos públicos, na cara dura. Se você entrasse a noite sorrateiramente na tesouraria duma prefeitura, por exemplo, e melasse todo o dinheiro circulante ali, com mel… iria se surpreender pela manhã seguinte, ao perceber vizinhos seu, amigos próximos, lambuzados com a boca toda cheia de formigas. Até a esposa, filhos, sogra, empregada, cachorro e papagaio da adjacência, seriam flagrados na farra… Muitos, tomados pelo formigueiro bucal e melaço agora aparente. Desde o século XX, o grande escritor e poeta paulista, Mário de Andrade, já dizia: “Pouca saúde, muita saúva, são os males do Brasil!”

Para aqueles que ainda acreditam em mágica, saibam: Tudo não passa de truques. Tudo que um mágico profissional faz, é desviar a atenção do espectador para um cenário surpreendente promissor, que não tem nexo com o verdadeiro truque que está sendo praticado nos bastidores; para que você não perceba a ilusão implícita utilizada na trapaça. Bem vindos – Eis o “sentido maior” e prático da existência da política miúda! Porém, se você desconfiar, investigar e pegar um fugitivo saindo de fininho ali por traz da cena; é bem provável que ele acabe se desculpando, com o argumento: O que é que você tem a ver com isso? Era da viúva e não seu! Como dizia a viciada turma de Hildebrando.

Veja o caso da nossa microrregião, que tem covardemente: 88 vereadores, 9 prefeitos, 9 vice-prefeitos, mais de 80 secretários, com uma relação benefício-custo, muito aquém do justo e necessário… Insisto, Salvador com uma população com mais de 2,8 milhões de habitantes, tem 43 vereadores! Nossa microrregião que reúne apenas 9 pequenas e pobres cidades, com renda média de 1/3 da renda média nacional, produz apenas cerca de 250 mil arrobas de cacau por ano. Logo, sobrevive a população as custas do INSS e do Bolsa Família, e, os cofres municipais, do FPM (Fundo de Participação do Municípios), com estupido e covarde custo político-administrativo anual de mais de R$ 18 milhões de Reais, somente neste tais cargos de “primeira linha”. Tudo isso só é possível, pelas mágicas e desfaçatez advinda dos truques legais, porém imorais, via DINHEIRO e tributos, principalmente as custas dos tributos indiretos!

Alguns vão dizer – Esse dinheiro não é meu mesmo, tô nem aí. Numa República de verdade, é ai que muitos se enganam, ao não participarem de forma decisiva da gestão, fiscalização e transparência da arrecadação e aplicação justa e inteligente dos recursos públicos. Em geral, os brasileiros são acomodados pela crença na velha Filosofia Mineira denominada: “Nudeiz”. E um dia por curiosidade, perguntaram ao mineirinho: – Mineiro, que diacho de filosofia é essa tal Nudeiz? E ele respondeu, ainda rindo, com a boca banguela, sem noção clara da conjuntura esfoliante – Tudo que não é no meu… é no “deiz”.

Como resumos corretivo das agruras do Dinheiro, diria o professor da USP, ex-banqueiro e ministro, João Sayad: – Se bem soubessem, os mais pobres, tinham em separado moedas distintas por classes sócias e regiões do país, como forma de amenizar as vantagens e roubalheira latente proporcionada ludicamente pelo Dinheiro.

Para os mais astutos, sugiro assistirem ao vídeo abaixo, como reflexão complementar a leitura.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.