E se você fosse o prefeito(a) da sua cidade, o que você faria para levar seu município ao pleno desenvolvimento?

Para irmos direto ao ponto, é preciso deixar claro, que na nossa visão, um dos grandes males que tem assolado o Desenvolvimento Socioeconômico das nossas pequenas cidades, tem sido: a entrega, a atribuição, a delegação, A ESPERA PELA INICIATIVA E AÇÃO DO PODER PÚBLICO, via governos populistas político-eleitoreiros. Que, como um ser supostamente novato salvador, “extraterrenos”, num acidente, venha e nos atropele de forma mágica com o seu desenvolvimento estatal.

Saibam, esta é a pior e mais cara escolha, que poderíamos ter apostado e investido nossa esperança, como solução do problema. Senão vejamos!

Infelizmente, mas é corrente na nossa sociedade, em especial, no Norte-Nordeste do país, atribuirmos o Desenvolvimento a iniciativa estatal, e esperarmos do governo “piconauta-salvador” que o poder público, venha, promova e nos atropele com programas e políticas-maternais.

Em cada eleição, já cansados de tanto apanhar, esperar e espernear em lágrimas, iludidos com o último estandarte político-eleitoral enganador da vez; e como resposta a toda a nossa indignação-psêudo-solução, (agora vai) renovamos nossas esperanças, e nos damos por vencedores tempestivos, em resposta soberba, e oposição aos demais irmãos sofredores das mesmas agruras; AO ELEGER O NOSSO MALVADO FAVORITO DA VEZ.

Estamos repetidamente, enfinhando cachorro dum lado, e esperando sair linguiça de primeira qualidade do outro (com selo de qualidade e tudo). E lamentavelmente, colocando a culpa na regulagem da máquina, pelo repetido desacerto.

Exemplo prático: A máquina pública consome do Orçamento Público Municipal Anual, cerca de: 54% com o funcionalismo, 25% com a “Educação” (70% com o inchaço obrigatório (Fundeb-20) da Folha de Pagamento dos professores), 15% com a “Saúde”, 4% com a Câmara de Vereadores… restando muito pouco para investimento na infraestrutura urbana e rural.

Comparativamente, para aqueles que preferem comprar um terreno clandestino, e depois ficar ligando para a rádio em denúncias inconsistentes, cercando o prefeito na porta da prefeitura, pedindo favores aos vereadores (impotentes corretores da desgraça alheia)… Cobrando que a prefeitura faça a rede de esgoto da sua rua…

Podem esperar sentados, pois, até que sobre recursos públicos para este fim, nesta máquina de processar linguiça podre… será bastante demorado e caro. Ou seja, você pagará indiretamente, muuuito mais, que na opção (via iniciativa privada) ao adquirir um lote aparentemente mais caro, porém dotado de toda a infraestrutura urbana e de saneamento.

Aliás, há abundantes recursos do FGTS alocados disponíveis para o financiamento de lotes urbanizados, a longo prazo (até 30 anos). Com a super vantagem, desta propriedade legalizada, o qual pode servir de garantia em levantamento de crédito junto a rede bancária, para construção da casa, empreender em sua própria empresa… tudo muuuito mais barato e viável, do que ter que processar tudo via máquina pública, tomada de urubus-donos de pastas, na sombra interna e ao redor.

Em cidades do interior das regiões: Sul, Sudeste e Centro Oeste, as pequenas cidades têm evitado de forma eficiente a FAVELIZAÇÃO, tão comum em cidade do Norte-Nordeste, através da perseverante fiscalização e impedimento de implantação de loteamentos clandestinos (local coincidentemente, com os maiores índices de criminalidade, analfabetismo e saúde precária – vide Teoria da Janela Quebrada).

Todos esses erros, tem nos levado ao empobrecimento sistêmico. Flagrante gritante, ao registrar que não gozamos dos benefícios de estarmos no patamar da Renda Média Nacional. Longe disto, inclusive! Pois, a Renda Média Nacional (2019), foi de cerca de R$ 35 mil por ano-habitante. Enquanto a Renda Média de um ipiauense, segundo o IBGE, regrediu (desde 2016) e ficou na casa dos R$ 9 mil por ano-habitante. Isso significa que se tivéssemos no patamar da Renda Média Nacional, teríamos gerado em nosso economia, R$ 1,25 bilhão A MAIS por ano. Isto é o valor que nos falta para sermos considerados medíocres (estar na média).

Não chegamos a este mísero patamar por obra e graça do destino, pelas condições climáticas ou desastres naturais. Tudo isto é o produto consequente das nossas relações econômicas, muitas vezes egoístas e/ou malandras – Como ter levado a cacauicultura a dependência dum falso financiamento rural governamental, dado a toda a malandragem político-financeira (vide fim da conta Movimento BB-BCB em 1986) desde a liberação do recurso, e em seguida, correr atrás de deputados correligionários para ter o perdão da dívida às “custas do governo” (lucrar no privado e realizar prejuízo no público). Ou ainda, ao substituir a produção real do cacau, pelo overnight (ciranda financeira dos anos 80 e 90) e ainda, carreando riqueza para fora da economia local, ao esbanjar na capital, e, até no exterior a “renda” auferida localmente (pobre fazendo pobríce, de forma egoísta). Em agosto de 2020, o montante da Eterna Dívida “Agrícola” dos cacauicultores ipiauenses, já ultrapassou os R$ 25 milhões. 86% desta, estão com o Banco do Brasil.

O baixo investimento local, no tecido social e nas firmas (fazendas e empresas) produtoras, geradoras de riquezas reais, nos levaram a um alto grau de empobrecimento e dependência financeira, via transferências intergovernamentais do governo do Estado e fundamentalmente do Governo Federal. Além da viciada dependência do INSS e do Bolsa Família, entre outros programas assistenciais cativantes. Ipiaú hoje, a grosso modo, é uma economia rebocada, aposentada, dependente dos recursos vindos de fora. (No público e no privado). Nem parece estarmos na região da zona da mata. Lamentavelmente!

Vai entrar para a história Econômica de Ipiaú, o ano de 2020, onde e quando, segundo dados do Portal da Transparência, 56% dos cidadãos de nossa cidade, dependeu de algum benefício do governo federal, seja, através do “Bolsa Covid”, Bolsa Família, BPC, INSS, sem contar a distribuição corriqueira de cestas básicas pelo município… Comparativamente, até dezembro de 2020, só o Auxílio Emergencial (Covid-19) o governo federal terá despejado em nossa economia, o equivalente ao Faturamento Bruto de 5 anos de safra do cacau local. Muletas que aleijam de vez!

É sabido, que nas cidadezinhas do interior do Norte-Nordeste, os caminhões de transportes de valores, trazem milhões de Reais em espécie, na sexta-feira. Ao sábados, a população vai as compras… e na segunda-feira os mesmos caminhões voltam para recolherem o dinheiro, carreados aos bancos, dado a falta de produção local, onde não há o milagroso fator de multiplicação do dinheiro, via indústria e comércio locais.

Persiste e cresce em Ipiaú, o percentual de pessoas do grupo do NEM-NEM: Pessoas, que não trabalham, não estudam, não produzem, não investem… Segundo o IBGE, compõe a PEA (População Economicamente Ativa) de Ipiaú, apenas 5.259 cidadãos. Enquanto no INSS são cerca de 10,5 mil pendurados nos benefícios previdenciários e quase 7 mil inscritos no Bolsa Família.

Por outro lado, é sofrido, em especial para um economista, saber que há décadas dormem, em abundância superlativa, milhões de Reais, estacionados nos cofres e contabilidades do sistema bancário das “nossas” 4 agências, muito dinheiro sendo remunerado a 1,57% ao ano (Caderneta de Poupança), enquanto o símbolo da nossa decadência (o prédio da Santa Pausa) continua “sem recursos” para a conclusão. Estupidez de titularidade, ou insistente forma cafona, de eleger a propriedade como troféu da glória e “riqueza” individual relativa? Falta de Inteligência Coletiva, na alocação dos recursos financeiros, e na melhor eficiência da poupança local.

Segundo dados atualizados (Ago-2020) do Banco Central do Brasil, há em depósitos à vista na Caderneta de Poupança e CDBs, nas 4 agências de Ipiaú-BA, cerca de R$ 200 milhões, servindo quase que exclusivamente aos Bancos, de forma parasitária, no eterno jogo velado do Sistema da Dívida Pública brasileira.

As perguntas que deixamos, são, supostamente – Se você acordasse prefeito(a) de Ipiaú, o que você faria agora, para lá em 2033, (logo ali) quando Ipiaú completará 100 anos de sua emancipação político-administrativa, tenha as condições socioeconômicas, pelo menos equiparada a média nacional, abaixo elencadas:

1)     O que fazer para os nossos irmãos, agentes econômicos (cidadãos de pequenas cidades) despertem para as oportunidades que o mercado consumidor e o governo brasileiro, permitem sem impor ainda, barreiras tarifárias aos produtos fabricados em nossas cidades do Norte-Nordeste?

Pelo contrário: O ICMS do Norte-Nordeste para SP, RS, MG, RJ, (…) é mais barato, do que de lá para cá. Os custos indiretos e até de produção, são mais baixos aqui do que nas grandes cidades do Sudeste!

2)     O que fazer para que os agentes econômicos da Economia Real, percebam que Papel Moeda é muito diferente de Dinheiro e que riqueza se registra em apropriação na Contabilidade (vide Função Social da Contabilidade no Sistema Capitalista). Com a vantagem da possibilidade da alavancagem, num exponencial crescimento, via uso de capital de terceiros, devidamente remunerados a justas taxas de juros, difícil de conseguir, porém ainda disponível no sistema bancário nacional, desde que baseados em garantias reais oferecidas?

Alavancagem, que é uma forma arriscada para os desmedidos, desavisados e estúpidos, porém, trata-se do caminho mais rápido e próspero para geração de riqueza. Vejam o exemplo clássico dos EUA, dos Bancos, dos Governos, das firmas e Corporações Transnacionais, que vem aqui e ganham muito dinheiro com a nossa própria poupança. Além da gente financiar, somos os operários, os fornecedores de matéria prima, os consumidores e por fim, os “trouxas-beneficiários”;

Lotes sem a infraestrutura legal, em loteamentos clandestinos por exemplo, é uma burrice. Peso pesado a ser carregado por uma vida, de forma caríssima, inviável e insustentável a saúde, a segurança e ao desenvolvimento pessoal e/ou familiar!

3)     O que fazer para que os agentes econômicos entendam que o governo não produz riqueza. Mas sim, expropria tiras de couro da nossas costas, via impostos, empréstimos (Sistema da Dívida) e impressão desmedida de Papel Moeda sem lastro, o qual consequentemente pode gerar inflação descontrolada nas economias emergentes, subtraindo por fim, a renda dos mais podres e dos assalariados em geral;

Logo, quando um governo derrama dinheiro com uma mão, tira com duas;

 

4)     O que fazer para que os cidadãos percebam a alta responsabilidade em suas mãos ao elegerem governos desonestos e vereadores populistas, negociantes de ilusão, corretores da desgraça alheia, prometedores do impossível e/ou ilegal, os quais, são por fim, retardadores do nosso Desenvolvimento Socioeconômico e até moral, da nossa cidade;

 

5)     Por fim, se prefeito(a) fosse, que estratégia você implementaria para anular as malandragens de certos falsos políticos, populistas, irresponsáveis com os recursos e o patrimônio público?

OXIMORO: Depois que o cargo de vereador deixou de ser voluntário e passou a ser remunerado, as Câmaras Municipais, do país a fora, tem absorvido cada vez mais pessoas pobres, despreparadas, muitos destes semialfabetizados, sem profissão definida, negociantes, criadores de dificuldade para comercialização de facilidades.

Registrar e deixar claro, que há sim bons vereadores desempenhando bem seu papel na Câmara Municipal de Ipiaú, porém, infelizmente não se trata de unanimidade! Agora em novembro de 2020, espera-se haver a Prova dos Noves, em julgamento popular.

Na Câmara Municipal de Ipiaú, por exemplo, votamos em 13 vereadores. Porém, já há na Folha de Pagamento 14 vereadores pendurados. Desde quando assinamos a carteira de trabalho de psêudos Celetistas? Voltemos aos 13, rogando que fossem no máximo 5 excelentes voluntários muito bem preparados para a justiça e inteligência pública que o cargo exige e merece!

Em tempos apocalípticos, econômicos e políticos, sugiro aos mais astutos, assistirem aos vídeos abaixo, como reflexão e aprendizado, complementares à leitura.

Série de textos clássicos do IOL, não recomendado para os fracos, sabichões e godelas.

Para ver este e outros artigos desse mesmo naipe, abra no site, na aba AGENDA 2033 e leia e releia (a qualquer tempo) vários outros artigos que tratam do nosso desenvolvimento local microrregional.

Signatário Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando do Instituto de Economia da Unicamp.