Cacau vai tentar sair do buraco pelos caminhos do semiárido

Os caminhos para tentar tirar do buraco mais de 11 mil produtores de cacau com dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão, a herança maldita da vassoura-de-bruxa, estão sendo traçados sem a abertura de novas trilhas.

Ou melhor, seguem as vias já existentes, especialmente o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), operado pelo Banco do Nordeste.

Segundo o deputado Sandro Régis, que está no time que apadrinha a causa, a ministra Tereza Cristina (Agricultura) formou um grupo de trabalho com a missão de formatar uma medida provisória específica para o caso.

Proposta — Pelo que está sendo gestado, a ideia é uma redução da dívida em até 95%, deixar o saldo devedor com juros de 1% a 3% para ser quitado em parcelas a serem pagas de 2021, a primeira, até 2030. Além disso, aciona-se o Plano Safra para garantir novos financiamentos, já que hoje o cacau está fora das linhas de crédito. Fala Sandro:

– Não está se inventando nada. Apenas pedindo para o cacau o mesmo tratamento que se dá ao semiárido.

Até o fim do mês a MP estará pronta, após o que irá para a apreciação do ministro Paulo Guedes (Economia) e, enfim, para a Câmara.

Se tudo correr como o previsto, será a primeira vez na história do cacau pós-vassoura-de-bruxa que algo foi feito. Antes, nenhum governo, nem FHC, Lula, Dilma e Temer, deu pelotas.

Levi Vasconcelos / A Tarde