Baiano que vive na Romênia ajuda brasileiros a fugirem da guerra na Ucrânia

Reprodução: Redes sociais

O jornalista baiano Davi Carneiro, 37 anos, vive na Romênia há nove anos. Assim que a Rússia iniciou os ataques contra a Ucrânia, na última quinta-feira (24), ele entrou no Frente Brazucra, grupo formado por brasileiros na Europa que está ajudando outros compatriotas a fugir do conflito.

O grupo já resgatou 40 brasileiros e ajudou indiretamente outros 80. A fundadora do Frente Brazucra, Clara Martins, saiu de carro da Alemanha para resgatar brasileiros na Ucrânia. O cientista Rodolfo Caires, 32 anos, residente na Irlanda, também está atuando no resgate em solo ucraniano.

Por fazer fronteira com a Ucrânia, a Romênia foi o destino e a porta de saída de muitas pessoas. “Como percebi que teríamos uma demanda grande de pedidos de ajuda, eu criei o grupo paralelo de apoio para a Romênia e comecei a mobilizar os brasileiros que vivem por aqui. Hoje já são 50 pessoas neste grupo”, conta Davi.

Como já conhece bastante a Romênia, Davi está dando apoio aos brasileiros que chegam ao país, prestando informações, ajudando nos pedidos de asilo. Além disso, o grupo na Romênia busca abrigo para as pessoas que chegam. Quando não encontram abrigo, os próprios membros recebem as pessoas em suas casas.

Além do apoio na Romênia, Davi e sua esposa, a romena Alina Iacob, foram decisivos para ajudar um grupo de brasileiros a sair da cidade ucraniana de Liviv e cruzar a fronteira. O Frente Brazucra conseguiu o contato de uma van que podia pegar os brasileiros em Liviv e levar até a fronteira da Romênia ou da Moldávia, mas o motorista não falava bem inglês, somente o moldávio. “O idioma da Moldávia é parecido com o romeno. Então eu e minha esposa fizemos a ponte entre o motorista e o grupo de brasileiros. Assim conseguimos acertar o resgate”, conta.

Davi conta que os brasileiros e ucranianos que conseguem fugir do conflito chegam bem debilitados física e emocionalmente. “A maioria dos refugiados ucranianos são mulheres, idosos e crianças, porque os homens ficaram para lutar. Já os brasileiros também chegam no limite porque todo esse processo para sair de lá tem sido uma verdadeira batalha. Muitos deles tiveram que andar a pé até a fronteira. Filas imensas, frio, sem comida, água…”, conta.

O jornalista diz que os ucranianos acreditavam na ocorrência do conflito, mas que se resumiria à região separatista do leste da Ucrânia, em Donbas, onde estão as cidades de Donetsk e Luhansk. “As pessoas não esperavam que fosse atingir a capital e demais cidades maiores tão rápido. Muitos já estavam preparados para fugir, mas foram pegos de surpresa pela velocidade dos ataques”, relata.

Diante da tragédia da guerra, Davi se sentiu na obrigação de estender a mão para outros brasileiros. “É o correto a se fazer. A vontade é de estender uma mão nesse momento tão difícil, ajudar com o que for possível, para que esse pesadelo dos brasileiros que estavam sem conseguir sair acabasse logo”, declara.
Segundo o Itamaraty, 500 brasileiros viviam na Ucrânia. Davi obteve informações junto à embaixada, a qual informou que 150 brasileiros ainda se encontram em solo ucraniano. “Alguns destes 150 decidiram ficar no país”, conta Davi.

O Frente Brazucra mantém uma vaquinha on-line para ajudar o grupo a resgatar e dar assistência aos brasileiros que fogem do conflito. O grupo destaca que NÃO aceita PIX. A ajuda deve ser feita pelo link da vaquinha.

Com informações do site Metro 1