Opinião Elson Andrade: A que (m) serve a Política?

Muitos vão prontamente responder de forma inepta aquilo que lhes impregnaram devoção. Ou seja, que o papel da Política é administrar a coisa pública…

Administrar a Coisa Pública, seria a forma de governo (mando) na qual o povo (ser abstrato/ninguém) é soberano (senhor), governado por um Estado (Hegemônico) por meio de “seus” representantes “legítimos” (mesmo que investigados) investidos de poder e funções estatais distintas; sob a égide da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência… deveria, (SQN) – Só que não.
E o que é administrar?

Administrar é: QUERER, SABER onde como e com quem chegar, CONCILIAR, ORGANIZAR e “FAZER” o óbvio.
O que é o óbvio?

Segundo o cantor e compositor baiano Caetano Veloso, (75) – “o difícil é enxergar o obvio!” Na letra da música Um Índio, do Album Bicho (1977), ele nos traz em sua música-poema o seguinte refrão:

“E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio”

Se voltarmos lá atrás, (desde o descobrimento do Brasil), e fitarmos as reais intenções implícitas, expressas na pintura, a Primeira Missa no Brasil, celebrada por Henrique de Coimbra, frade e bispo português, no dia 26 de abril de 1500, (6 de maio, no calendário atual) num domingo, supostamente as 15h:47min na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no litoral sul da Bahia, bem como nas demais ilustrações da época, poderíamos concluir:

Que o índio até então, quiçá tinha noção que era índio, perante a concepção de outrem ser alienígena;
Que aqueles distintos brancos europeus, comerciantes, invasores (a mando do Estado Português), na verdade estavam em busca de ouro e especiarias que pudessem lhe propiciar a riqueza, diante de um mundo agora, sob a lógica monetária, e não mais, pela obviedade da saciedade das necessidades básicas subsistências humanas, através do escambo (troca direta de uma mercadoria por outra de valor equivalente);

Poder-se-ia dizer ainda, que teoricamente, a política gera estrutura e comportamentos padrão que sustentam valores temporais das coisas, pessoas e organizações, através da construção da Ética corrente (regra do jogo “legitimo”), com fulcro a suportar e viabilizar a saciedade das necessidades, desejos e demandas humanas, diante do jogo socioeconômico consequente, nas suas milenares relações e disputas na garantia da propriedade, produção, distribuição e consumo. E para tanto, constitui-se de um sistema de governo, através de um [Contrato Social], à garantir o funcionamento mercantil da exploração do trabalho, produção de bens e serviços via acumulação e manutenção da propriedade privada.

Numa sociedade com governo “democrático”, economia liberal (em Francês diz-se: Laissez-faire), baseado na iniciativa privada; o papel do administrador faz-se cada vez mais necessário e complexo, à medida que avançam o conhecimento e o estabelecimento de novas formas organizacionais, onde o direito, a economia, as finanças, as engenharias… e por fim, novas formas de produção, distribuição, financiamento e consumo dos bens e serviços, a atender demandas sociais e governamentais (intrínsecas do poder), cada vez mais especializadas (subdivisão do trabalho=dá um perdido no cabôco).

Neste contexto, eis que surgem as empresas, que cada vez mais se afirmam e desenvolvem como organizações comerciais transnacionais (aceitas como multinacionais legitimas e inteligentes), consumidoras de pessoas, bens e serviços, com fulcro a geração e acumulação de capital, a qual deu origem a Holding e consequentemente as Offshore… Espécie maior da existência da Suíça.

Seres Humanos uteis a outrem na cadeia alimentar
Bom, para não dizerem que não falei das flores… e para nesta feita não me alongar, visto que o filme abaixo (Ilha das Flores) tem muuuuito a lhe esclarecer… como diria Gilberto Gil: – “ou não, enfim!”

Ei pois, a minha contribuição: – “Creia em Deus, e vá em frente!” (exceto aqueles que estão à beira do precipício).

Para os mais astutos, sugiro assistir ao clássico vídeo abaixo, até o “fim”:
Como disse Jesus em Mateus 13:9 – “Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça!”

Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário e pós graduando Instituto de Economia da Unicamp.