Opinião Elson Andrade: Mega esquemas nacionais emperram desenvolvimento de pequenas cidades como Ipiaú


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Por conta dos “festejos” da comemoração da “emancipação” política de Ipiaú, que dia 02 de dezembro próximo, completará 84 anos, vamos aqui tratar de duas importantes visões simbióticas do que histórico, estrutural e circunstancialmente, vem imperando o desenvolvimento socioeconômico de pequenas cidades, a exemplo de Ipiaú.

Nesta primeira análise, abordaremos as circunstancias dita como: restrições da porteira para fora, e na semana que vem na segunda parte desta empreitada, abordaremos as pistas das possíveis saídas, tidas como: restrições e oportunidades, da porteira para dentro, a serem desenvolvidas e implantadas.
Data vênia, mas por se tratar de assuntos de domínio restrito, certamente os leitores mais superficiais e apressados, não suportarão e ficarão pelo caminho… aos demais, conto com a vossa, inteligência e astucia de raros e distintos leitores, aos quais convido seguir aos fundamentos.

Conta-se que no século IX, já no gozo das benesses estatais recém-estabelecidas no Brasil Imperial, principalmente devido à vinda do ilustre fugitivo político europeu, D. João VI; um português e um espanhol se encontram na hoje praça XV, no centro da então capital federal, no Rio de Janeiro; quando se gabavam do gozo do estabelichment auferido por ambos, disputando, há quanto tempo cada uma de suas respectivas famílias, não teria precisado trabalhar (pegar no pesado – enfrentar o batente do dia-a-dia dos comuns)… e um dizia: – há 120 anos, o outro, concluiu a conversa – na minha família não temos precisado nos sujeitar a isto nos últimos dois séculos!

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É sabido que na França de Luis XIV, 1661 a 1715 d.C., as classes dotadas de títulos de nobreza e propriedades, não pagava impostos. Conclusão óbvia a época, pois soava como imbecilidade, cobrar impostos dos ricos e de membros da corte, dado que o destino dos impostos era justamente a estes.

Enquanto isto a cúpula do governo inglês, insistia com tese socioeconômica, ao governo brasileiro, que poderia abrir as portas das senzalas e libertar os negros, pois, seria muito melhor negócio explorá-los via mercado através da gestão do valor e controle do acesso a moeda e crédito, do que mantê-los na produção a força. O medo dos nossos governantes lusitanos, a época, pairava sobre a incapacidade intelectual dos libertos em não saberem o quê fazer com essa tal liberdade, degringolar para o lado do “mal” (entenda aqui, como a improdutividade) e pôr tudo a perder. Haja vista, a eterna necessidade de um sistema (por pior que seja), carecer sempre de regramento conseqüente para que uma sociedade econômica rode, e posa haver a produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Pronto! Aos sobreviventes… um gole d´água e vamos à origem de tudo.
Lá no inicio, o Homo sapiens vivia em grupos como nômades, cada um se defendia, ou melhor, se sobressaia, pela força e porte do corpo e não necessariamente pela função ou habilidades pessoais… Com o desenvolvimento da comunicação, da intelecção revelada através do manuseio de ferramentas e técnicas de cultivos, foi então inaugurada à era da SUBJETIVIDADE.

A conseqüência imediata da subjetividade foi o surgimento da separação daquilo que era próprio, pessoal, em detrimento do coletivo. Ou seja, acabara de nascer a PROPRIEDADE.
Para defender a propriedade, criamos as guardas através da força armada e mais adiante, de forma “pacífica”, através do estabelecimento do DIREITO. Ou seja, o direito já nasceu a serviço dos vencedores no gozo do estabelichment social e econômico, além de garantir a individualidade e o poder Estatal.

Para garantir e manter o sistema de propriedades e produção via exploração do homem pelo homem, de forma sistêmica, através do uso da força e/ou do direito, usando como desculpa a defensa do território “comum”… com esses incontestáveis argumentos, inventamos então o ESTADO, através do monopólio da força e da violência, contra os rebeldes internos ou externos, quem não obedecessem às regras societárias estabelecidas. O que mais tarde veio a ser teorizado como o Contrato Social.

Ás igrejas coube o papel lúdico e ideológico, futurista, na ratificação, envolvimento, dissimulação, pacificação e justificação transcendental do sistema. Salvo, raros casos e episódios.
Porém, a grande invenção veio a ser a MOEDA. Sim, pois a partir dela, a mercadoria em si, passou a ser menos importante do que o meio líquido de troca. E portanto, tudo passou a estar teoricamente a venda, inclusive as pessoas e a moral. Todos á serviço do capital, sob o comando dos bancos e a égide estatal.

As três funções básicas da moeda:
Meio de troca: intermediário entre as mercadorias. Poder representar o quê de fato não é;
Unidade de conta: servi de referencial das trocas, instrumento pelo qual as mercadorias são precificadas, sem que seja preciso haver mutações substancias nestas; e,

Reserva de valor: poder de compra que se “mantém no tempo”. Ou seja, forma de se medir a riqueza acumulada, e terceirizar a perecividade do bem material mutável no tempo.

Com o alastramento da moeda, conseqüentemente surgiram o mercantilismo e os bancos. Inicialmente, como uma espécie de maternidade da moeda. Dado aos assaltos… a moeda que antes eram estampadas em prata, ouro e bronze, foram cada vez mais sendo substituídas por notas promissórias correspondentes (caso fosse roubada, era só avisar ao banco para anular a correspondente nota promissória). Como poucas pessoas retornavam aos bancos para reaver o dinheiro original… os banqueiros logo perceberam que PARA EMITIR MAIS E MAIS CRÉDITOS, NOTAS PROMISSÓRIAS, NÃO PRECISAVAM SE LIMITAR A SOMA DE TODAS AS MOEDAS EXISTENTES SOB SUA POSSE.

Esta tem sido a maior de todas as mágicas e fraudes de todos os tempos, que persiste até hoje (conhecida tecnicamente como alavancagem bancária). E isto se dá, graças às promiscuidades existentes há séculos, entre o poder político e o sistema econômico-financeiro, além da ignorâncias de muitos. Praticada de forma cada vez mais refinada, dissimulada, (digital) entre o sistema financeiro e os Estados modernos, que associado ao sistema tributário, mantém o jogo e estratificação das classes sociais, controlando a base monetária, o acesso ao crédito e a concentração da riqueza produzida num dado território, de forma “legal” via Bancos Centrais.

Posto o Fundamento, vamos ao caso concreto atual: Quem produz alface de qualidade na Fazenda do Povo, mesmo muito doente e necessitado, não consegue na zona urbana, trocar por remédio nas farmácias de Ipiaú; Os poucos recursos poupados, junto à rede bancária, pelas lavadeiras de roupa de Ipiaú, vai em fim financiar a incorporação de prédios em SP, RJ, DF, BH… Que após a construção dos mesmos, o incorporador, entrega os mutuários às garras dos mesmos bancos com o mesmo dinheiro do povo, dinheiro esse, que na verdade se quer saiu de fato do sistema bancário; Quem quer produzir algo, prioritariamente precisa de dinheiro ou crédito, restrito e caríssimo; Quem precisa de crédito, tem que ter histórico e formalidades. A formalidade custa cerca de 36% do PIB; A formalidade tributária concentra renda no governo federal. Cerca de 54% do bolo tributário nacional, (depois da redistribuição via Pacto Federativo Fiscal). Distorção qual, vem asfixiando os 26 estados que ficam com 25% e os 5.570 municípios com apenas 21% e todos os problemas possíveis;

A estabilidade e liquidez do Sistema Financeiro Nacional, são fiduciárias, e, portanto, “lastreado” na crença popular e pelo dinheiro do próprio povo, depositado e em posse dos bancos controladores, que o acusa previamente de inadimplente potencial (caloteiro). Se bem soubesse, o povo é que tinha que questionar os bancos pela segurança e liquidez do sistema. Pois, em verdade é ele, o povo, o verdadeiro dono do dinheiro, e não o mágico multiplicador e usurável banco;

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O banco só empresta o dinheiro, se houver garantias reais e liquidáveis a curto prazo, além de exigir um “spread” altíssimo (suicida – escravagista). Ora, se se pede emprestado agora, é porque no presente, não se tem. Para o ciclo girar, é preciso quebrar a inércia;
O papel moeda é em verdade de propriedade do governo, que ao aumentar os preços controlados, provoca inflação. A inflação é uma forma de deixar a sociedade não indexada, ainda mais pobre e dependente das benesses dependentes do um governo centralizador, escroto e comerciante de indulgências;

O governo tem soberania para emitir dinheiro e/ou crédito. Porém prefere considerar que a expansão monetária causa inflação (medida percebida apenas por bancos e investidores profissionais), e que bom mesmo é o dinheiro dos investidores “estrangeiro”, via privatizações;
Vejamos o caso da VALE DO RIO DOCE: A empresa quando pertencia ao governo, estava endividada, fruto das mazelas dos governos, desde os militares. Pois bem, endividamos o Estado para sanar a empresa. Leiloamo-la. Os tais estrangeiros pagaram uma parte da aquisição com títulos podres prescritos ressuscitados na bacia das almas no mercado financeiro. (tudo com a mão invisível e sorrateira do Sr. José Serra e Armínio Fraga). Bom, mas… foi preciso seguir com o negócio. Entra o BNDES emprestando dinheiro para o tal “estrangeiro” pagar o governo. Pouco tempo depois, a VALE aparece no mercado com uma contabilidade linda e resolve então abrir o capital na bolsa. Os brasileiros então compram pela quarta vez, a mesma empresa que sobrevive de exportar os nossos minérios a preço cotados (precificados) em bolsa de países ricos compradores, com o apelido de commodities e ainda são privilegiados com desoneração na exportação. Situação qual, virou sistêmica pais a fora. Inclusive com as rodovias, transmissão de energia, portos e aeroportos… tudo em nome da modernidade e boa administração;

Após contratado com o sistemão, o governo Temer-Meireles-Ilan, pondo a mão na massa, aprovou no congresso, constituído de palhaços (ventríloquos travestido de povo), que mesmo praticando cenas combinadas e ensaiadas, ainda assim, exigem do governo tetas fartas e fáceis, para aprovar um teto dos gastos sociais e investimentos, em detrimento da manutenção do pagamento de juros sobre juros, sem qualquer contrapartida econômica real, num montante líquido de 3,5 trilhões de reais. Enquanto mantemos emprestado aos EUA 378 bilhões de dólares remunerados a 0,5% a.a. e sedemos uma isenção ao setor petroleiro de mais de 1,3 trilhões de reais;

O PIB (produto interno bruto) é a soma dos bens e serviços produzidos num país sem o desconto das livres remessas de capital ao exterior. Uma vez descontadas tais remessas as matrizes das transnacionais, aqui presentes, ficamos com o PNB (produto nacional bruto) que varia em torno de 15% para menos do propalado PIB;
Do final do 1º governo de Getúlio Vargas, a derrubada de João Goulart, a renda per capta dos brasileiros, cresceu nominalmente 100 vezes (vide relatório IBGE). Depois da assunção dos militares e a implantação do Banco Central do Brasil em 31/12/1964, esta renda retornou a 1/3 do que era em 1947;

Conclusão:
Não dá para continuar perdendo tempo esperando cair do céu, ou das migalhas escorchantes e caras dos governos federal e estadual.
A Economia Solidária, os Bancos e Moedas Sociais, hoje são uma realidade em diversas localidades brasileiras, onde já há 107 instituições devidamente registradas no Banco Central do Brasil…
Porém em Ipiáu, ao que aparece, não há peito, empenho e sabedoria capaz de tal feito, infelizmente.

Para os mais astutos, vale a pena ver este vídeo:

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Elson Andrade – arquiteto, urbanista, empresário