Ipiaúenses mantém tradição de romaria a Bom Jesus da Lapa

Na noite do próximo dia 27 será celebrada, na Igreja de São José Operário, a Missa do Romeiro. Esse ato de fé religiosa antecede a viagem de centenas de católicos de Ipiaú até o santuário de Bom Jesus da Lapa.

Durante 10 dias, eles se juntarão a milhares de outros romeiros e peregrinos para celebrar uma devoção que acontece há mais de 300 anos, envolvendo sucessivas gerações.

Edvan Oliveira Lisboa, 47 anos, filho adotivo do saudoso João Cearense, vem dando continuidade à tradição. Ele repete o que seu pai fez durante quase meio século: conduzir num caminhão pau de arara um grupo de romeiros até a gruta sagrada.

Outras 10 caravanas, algumas de ônibus, partem de Ipiaú com o mesmo destino.

Dona Elvira, mãe do diácono Reinan, repete o mesmo procedimento há mais de 40 anos. A idade avançada não lhe impede de enfrentar os incômodos da viagem que se prolonga por muitas horas em pleno sertão baiano. São mais de 40 anos nessa devoção.

Ficou na memória do povo ipiaúense a romaria organizada por dona Filinha, mulher de seu Gervásio, fiscal da Prefeitura.

Dona Filinha era contemporânea de seu João Viturino de Souza, o popular João Cearense, natural da região do Crato, onde também nasceu o famoso padre Cícero.
A novena do Bom Jesus é realizada no período de 28 de julho a 5 de agosto, inclui missas diárias e homenagens aos romeiros, sempre às 19h, no santuário de “Pedra e Luz”.

Durante o dia, os visitantes podem desfrutar dos atrativos da cidade, com destaque para os passeios de barco pelo Rio São Francisco, além de visitar as seis capelas que compõem o santuário.

O auge da festa religiosa é o dia 6 de agosto, quando romeiros participam das missas celebradas durante todo o dia, no santuário, a partir das 5h.

Nessa data , o encerramento dos festejos dedicados ao Bom Jesus será marcado pela procissão que percorrerá as principais ruas da cidade até a chegada ao santuário.

Localizado às margens do Rio São Francisco, Bom Jesus da Lapa é um dos principais ícones do turismo religioso na Bahia e recebe 2,5 milhões de romeiros por ano.

A cidade de Bom Jesus da Lapa, que tem o turismo religioso como um dos pilares da sua economia, foi criada a partir da ocupação de um complexo de grutas pelo pintor português Francisco de Mendonça Mar, em 1691.

De acordo com a história oficial do santuário, ele saiu como um errante de Salvador com uma imagem do Bom Jesus e de Nossa Senhora Soledade e, depois de peregrinar durante meses por regiões inóspitas, encontrou um morro, em cujas grutas passou a morar e a atender material e espiritualmente os moradores do sertão.

Localizado nas proximidades do rio São Francisco, o morro calcário de 90 m e as grutas foram transformadas em santuário, que hoje abriga a catedral de Bom Jesus da Lapa.

Considerado a ‘meca’ do catolicismo do povo sertanejo, o local é tido como sagrado e ao Bom Jesus são atribuídas muitas curas.

Durante mais de 300 anos de romaria, os meios de locomoção foram incrementados, mostrando bem a passagem do tempo.

Se antes os peregrinos vinham à pé, no lombo dos animais ou em embarcações movidas à vara e remo, agora eles têm a facilidade dos motores para chegar ao seu destino.

Apesar das mudanças, os chapéus continuam a caracterizar os romeiros.

“Os chapéus de palha são encobertos por um pano branco, simbolizando a paz e adornados por uma fita verde, que representa a esperança de chegar ao santuário”.

Essa tradição é mantida principalmente pelos romeiros procedentes do Sul e Extremo Sul da Bahia.

José Américo Castro