Ipiaú: Audiência pública na Câmara debateu soluções para situação do RNTC

Em audiência pública ocorrida na noite de quarta feira ( 16 ) no plenário da Câmara Municipal de Ipiaú, representantes da comunidade local debateram soluções para a polêmica gerada em torno do terreno e prédio do extinto Rio Novo Tênis Clube.

A situação já era considerada difícil, com um estabelecimento fechado no centro da cidade, gerando insetos e até servindo de abrigo para usuários de drogas. Com a entrada em cena de novos personagens que alegam ter comprado o terreno do clube, o problema se tornou ainda mais complicado. Um ponto positivo porém em toda a polêmica é que o tema do clube com tudo isso acabou voltando ao centro das discussões, desta vez com força de decisão.

Entre os representantes do Legislativo, estavam presentes os vereadores Cláudio Nascimento, Jô da AABB e Orlando Santos. Também estiveram na reunião dois ex diretores do clube: os ex vereadores Raimundo Menezes Moreira e Hilduardo Tavares. Representando a prefeita Maria das Graças, o assessor jurídico do município Roney Ribeiro.

Foram levantadas várias possibilidades para resolver a questão, dentre elas o advogado Zito Lacerda citou o tempo de ocupação do local pelo clube. ” Já fazem 70 anos e só agora a posse do terreno é contestada? A prefeitura deve realizar um processo de desapropriação da área para que ali seja construído algo útil para a sociedade ipiauense”, comentou.

Alguns presentes representaram o grupo Coletivo Cultural de Ipiaú, dentre eles Vicente Andrade, Cissa Mesquita e Erlândia Souza, assim como quase a totalidade dos presentes, sugeriram para que ali fosse instalado um centro cultural e esportivo para atender a comunidade ipiauense, sobretudo a população de baixa renda.

Muitos citaram a importância histórica e cultural que o RNTC possui na cidade. Devido a essa importância é que o prédio foi tombado como patrimônio histórico do município.

O vereador Orlando questionou o fato de a defesa no processo de desapropriação ter ocorrido pelo dono do cartório e não pela pretensa proprietária do terreno, ou seja Rita Motta. O vereador Jô sugeriu a criação de um centro cultural no local ou passá-lo à iniciativa privada. Em contato com o IPIAÚ ON LINE, o vereador Cláudio Nascimento ressaltou que todo a transação da venda do terreno teria sido feita com um documento de compra e venda. “Esse documento não tem valor legal. Além do mais não foi pago o IPTU do clube, cuja dívida nos últimos dez anos gira em torno de 60 mil reais”, frisou.

Por sua vez, o advogado que representou o pretenso comprador do terreno do clube disse que seu cliente é um homem visionário e que pretende fazer naquele local um empreendimento que trará renda para o município e a geração de vários postos de trabalho. Sem especificar detalhes, ele mencionou a intenção de se criar ali um investimento avaliado em 10 milhões de reais.

Rita Motta,  herdeira que alega necessidade de venda do terreno

Rita Motta, durante sua fala, muito exaltada, alegou que após a morte do pai que vem passando por dificuldades financeiras e que por ser única herdeira, entende que tem direito sim de pedir a reintegração de posse do terreno que foi doado por seu pai. Ela foi vaiada várias vezes . “Não vou desistir enquanto tiver vida. A prefeitura se quiser usar o terreno que me indenize”, disse.

Vereadores Jô, Orlando e Cláudio participaram da audiência. Fotos: Noel Rodrigues

Em defesa do clube, a empresária Verônica Pestana disse a Rita que, se o pai dela ainda fosse vivo “jamais sequer sonharia em pedir de volta o terreno doado”.

Uma comissão foi criada para representar o RNTC composta por ex presidentes, ex sócios e membros do Coletivo Cultural de Ipiaú que deverão continuar os trabalhos de manutenção do espaço. A premissa é de que a o clube continua em posse do terreno. Ao longo desse mês esta comissão continuará se reunindo e uma uma assembléia geral está convocada para o próximo dia 15 de junho, quando deverá ser reestruturada a pauta do plano de recuperação do clube.

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