Agenda Ipiaú 2033: Urbanista Charles Fernandes traz propostas para o Parque da Cidade

Urbanista Charles Fernandes propõe parque linear do Água Branca como elemento fundamental na estruturação da expansão urbana de Ipiaú. Confira:

É possível garantir agora um bom ordenamento do desenvolvimento urbano de Ipiaú para 2033? A resposta é: depende! Pois depende de partir de definições legais das áreas verdes e da preservação dos recursos hídricos hoje, para lá em 2033, Ipiaú poder colher os frutos do que plantar e zelar, ordenadamente ao longo das décadas.

A exemplo da minha cidade Indaiatuba, ao meu ver, uma pérola em desenvolvimento econômico e urbano,localizada na região metropolitana de Campinas, interior do estado de São Paulo; conseguimos a partir de muita luta e da promulgação de leis, que ainda em 2005, foram predefinidas Políticas Públicas Municipais, e desde então viemos implantando um grande parque municipal a partir de um projeto que não se encerra na iniciativas imediatistas de governos passageiros, mas sim, na sequência incremental ao longo das décadas, com foco na gestão dos recursos hídricos… que aliás, quem se interessar, poderá consultá-las no site:www.indaiatuba.sp.gov.br, onde poderá encontrar tais planos e projetos oficiais, com a devida mensuração e clareza necessária a fundamentação de um Plano dessa envergadura, abaixo resumido

A Água pertence a todos, pode faltar, e possui valor econômico intangível!

Neste conjunto de legislação municipal, a responsabilidade é tanto do poder público, quanto da sociedade, pelas práticas sustentáveis que visam proteger os recursos naturais, ao utiliza-los de maneira racional e sustentável. Este é um esplêndido começo e Marco Regulatório, para discutir e firmar questões ambientais, a fim de se tornarem exemplo de cidade que estabelece de forma responsável, a proteção e conservação das fontes de recursos naturais: tanto o cidadão comum, usuário dos recursos naturais, quanto as comunidades e o próprio poder público.

Nossa legislação, por exemplo, considera dever de todos, a participação da gestão destes recursos, buscando a otimização do uso de forma sustentável. Somos todos responsáveis pelas ações para recuperar as áreas atingidas por degradações, e a proteção da integridade dos ecossistemas, responsáveis ainda pela manutenção destes recursos. Em resumo, para o povo de minha cidade, fez-se necessário:

Coube a todos exigir da prefeitura o planejamento, a gestão e o correto uso dos recursos naturais, na forma da lei.

Em tempos remotos, nosso desenvolvimento urbano, e de muitas outras cidades brasileiras, focava seu planejamento no desenho a partir de resposta a novos loteamentos espontâneos e da malha expansão viária, tudo a esmo, e muitas vezes considerava apenas o uso de modais de transporte particulares e motorizados, em detrimento do que conhecemos hoje como mobilidade urbana sustentável. Pensar a cidade, da rua para o fundo de vale e beira de rio, acessível apenas por carros, tem se mostrado insuficiente para integrar as ações de conservação que visam o uso sustentável do solo urbano.

A persistência desta forma insipida, fica comprometida a integração e gestão sustentável das áreas verdes urbanas destinadas ao Lazer e à proteção ambiental, além dasua relação com as áreas de moradia e atividades terciárias de comércio e serviços. Este modelo de cidade não consegue se integrar com a natureza em atendimento ao crescimento necessário!

Enquanto o planejamento urbano antiquado determina a VIA PÚBLICA e a especulação imobiliária como unidade de desenho e geração desordenada de valor econômico… As políticas de conservação de recursos naturais propõem acrescentar as BACIAS HIDROGRÁFICAS como ponto de partida, ao centro do debate na produção do desenho urbano, indicando sua relação íntima com a Natureza e por fim, a cidade como um todo. Lembrando que no final, ocupar-se-á o mesmo espaço em quantidade, embora com qualidade muito superior e de valor e agradabilidade ainda maior!

Hoje as cidades que buscam desenhos mais sustentáveis, observam também a Mobilidade Urbana, através da equivalência nas ações que promovem o transporte não motorizado, os modais coletivos de transporte em detrimento do uso de veículos motorizados particulares, para então definir o traçado do sistema viário e demais ocupações. A ordenação do uso do solo, em comunidades sustentáveis, indica o multiuso, na intenção de aproximar a moradia, o trabalho e as atividades terciárias, diminuindo distâncias. Isso possibilita criar comunidades vibrantes, viáveis e economicamente ativas. Acrescente a isso o olhar SIMULTÂNEO à presença da hidrografia, a conservação e a manutenção das áreas de preservação dos ecossistemas que nela coabitam, e por fim transformam nossas cidades de meros aglomerados de vias e lotes, em Ambientes Urbanos Sustentáveis e agradáveis.

A busca pela sustentabilidade em toda a cidade deve iniciar na preservação das nascentes e corpos hídricos através da proteção da vegetação nativa e seu entorno. Além de prever ações para manutenção de todos os ecossistemas que ela abrigar. Indicar o uso racional da água e planejar a integração de sua hidrografia com as áreas urbanas, conservando as fontes destes recursos, mas também proporcionando qualidade de vida através de integração da população com as futuras áreas verdes urbanas, planejadas e destinadas ao lazer.

Criar uma cidade sustentável indica observar seu desenvolvimento, prioritariamente, através do PLANEJAMENTO de suas áreas verdes e parques, da proximidade dos serviços públicos, da mobilidade urbana sustentável e da integração entre trabalho e moradia.

Cidades sustentáveis são verdes, caminháveis e cicláveis, como grandes parques, por exemplo. A sua cidade de Ipiaú, pelo que vi, mais que precisa de um grande parque linear envolta de TODO o rio Água Branca, que possa organizar, estruturar e ordenar o crescimento urbano envolta do rio… Empreitada que consumirá esforço de muitos ao longo das próximas décadas! Este projeto não pode ser pensado para os interesses imediatos de apenas um governo. Deve ser a conquista de toda uma sociedade, do presente e futuro. A exemplo do que aconteceu em minha cidade Indaiatuba. Trata-se em verdade, de uma luta longa e sequenciada que vai da conscientização dos “stakeholders”, concepção de projetos, alocação de recursos, licitação, execução, controle e continuidade – apartidária.

Conforme instrução e formato da coluna, segue abaixo o vídeo sugerido para melhor compreensão do tema:

 

 

 

Charles Fernandes – natural de Indaiatuba-SP, é arquiteto e urbanista pela PUC Campinas e, ainda, ativista ambiental