Agenda Ipiaú 2033: Cristiano Almeida propõe município adotar moeda social

 

Agenda Ipiaú 2033: Bancos Sociais – Crenças para que te quero?

Em setembro de 2015, a Receita Federal do Brasil divulgou estudo que apontava, que se a CPMF fosse implantada para vigorar no ano exercício de 2016, com uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas, a estimativa da arrecadação atingiria os R$ 32 bilhões no ano, aos cofres do governo federal.

Ora, se aplicando uma alíquota de 0,2% sobre um montante X, e o resultado for igual a R$ 32 bilhões… logo, com uma regra de três simples, é possível concluir que X é R$ 16 quatrilhões!!! (somatório de todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas).

Ou seja, em um ano, no Brasil, circulam cerca de R$ 16 quatrilhões. (é bom lembrar, que este número não é econômico, mas sim, o somatório das transações financeiras). Opa 1! como podemos chegar a estes números estratosféricos, do volume de transações financeiras no Brasil, se quem dá lastro e suporta a liquidação disto tudo é por fim, o patrimônio do Banco Central, (verdadeiro dono e garantidor da moeda)? Se formos olhar o Balanço Contábil do Banco Central, poderemos constatar que o PL (patrimônio líquido) do BC, não chega a 2% do montante de créditos correntes em circulação nas instituições bancárias brasileiras. Ou seja, se houver uma corrida bancária… e todos os brasileiros tivessem depósitos em montantes iguais; de cada 100 brasileiros depositantes com créditos à vista nos bancos, somente 2 sacariam de volta seus recursos confiados aos bancos.

Nesta cena, logo vão brotar do nada, defensores de plantão, dos bancos, a retrucarem: – no mundo inteiro é assim. Isso é normal. Concluiriam os analista econômicos, do pelotão da infantaria, estrategicamente posicionados, nas redes de TV!

A questão por trás é, se para se produzir um PIB nacional de cerca de R$ 6 trilhões, precisa-se em verdade de apenas R$ 200 a 300 bilhões, (PL do BC), em depósitos à vista correndo de mão em mão, nos bancos, então de grosso modo, para se ter um PIB em Ipiaú, de cerca de 1 bilhão/ano (250% maior do que o atual), precisaríamos de apenas 20 milhões de reais!

Opa 2!! Neste ponto da conversa, algum ipiauense um pouco mais instruído e informado que a média, vai logo destacar: – Se for preciso apenas este volume… em Ipiaú, nós temos R$ 20 milhões em depósitos à vista alocados nos bancos “daqui”!

Daí surge a pergunta: – por que então não temos o PIB de 1 bilhão/ano (250% maior do que o atual) e a prefeitura uma arrecadação de R$ 220 milhões por ano?

A resposta não é tão simples quanto parece, porém já dá para concluir que: Ipiaú não tem um parque fabril manufatureiro gerador de riquezas. A balança comercial de Ipiaú e deficitária. Ipiaú consome mais do que produz, assim como outras tantas pequenas cidades brasileiras, que vivem de pires na mão à espera de transferências governamentais estadual e federal, em especial o INSS, Bolsa Família, FPM… Falta fundamentalmente financiamento (capital inicial) com preço justo e distribuição de renda. Além de tecnologia, capital humano, projeto de desenvolvimento coletivo consistente e sustentável, compreensão mercadológica capaz de erguer organizações empresariais de produção local forte, suficiente a atender a demanda de emprego e renda, frente ao poderio dos grandes grupos econômicos e financeiros, (principalmente as empresas transnacionais e os famigerados e até então necessários bancos).

Tudo verdade! porém o que você talvez ainda não tenha se atido, é que o capital financeiro que correr nos bancos, não pertence aos bancos! Mas sim a todos nós. E Ipiaú provavelmente tem sim, um somatório em depósitos à vista maior que os R$ 20 milhões de reais (simbolicamente retratado aqui) … e por que não avançamos, e continuamos a espera dum milagreiro santo salvador, a exemplo dos sertanejos?

A resposta definitiva é: diferentemente do que já é realidade a séculos em pequenos países ao norte da Europa ( pioneiros em geração de empresas de capital aberto), ou até mesmo na periferia de Fortaleza (Banco Palmas), nós não temos inteligência e organização coletiva! Ou seja, não somos capazes de juntar forças e competências capaz de empreender empresa e banco de crédito coletivo… com administração profissional, ilibada e moderna… em cumprimento das regras, da prestação de contas e transparência, (a chamada Função Social da Contabilidade).

Segundo nos revelou o grande brasileiro, Osires Silva, (pai da Embraer – original) – perguntado aos suíços organizadores, porque o Brasil nunca teve um prêmio Nobel? Os suíços, mais reservados, relutaram em responder… porém depois de algumas horas num coquetel, e algumas boas doses de uísque, um agente da fundação, disse ao Osires… eu vou lhe responder.

– É porque os brasileiros são institivamente destruidores de heróis iguais a si, e bajuladores de falsos salvadores distintos e soberbos… basta anunciar um possível indicado a receber o prêmio, que aparecerão milhares de denúncias e acusações difamatórias que põe por terra o mérito do candidato. Concluiu o suíço. Em reação e contradição a esta crença e prática fúnebre, é que surgiu em Fortaleza o Banco Palmas… que é um banco comunitário cearense, conhecido formalmente como um “banco comunitário de desenvolvimento” ou  BCD, fundado em 1998 no Conjunto Palmeira, num bairro que à época contava com 25 mil habitantes, localizado na periferia de Fortaleza. Onde continua firme e forte a opera sob o princípio da Economia Solidária.

O Banco Palmas foi o primeiro dos mais 100 bancos comunitários, em exercício no Brasil, todos legalizados junto ao Banco Central, com estruturas semelhantes em todo o Brasil. É gerido localmente pela Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira, conhecido pela sigla ASMOCONP, fone (85) 3250-8279, onde a maioria da equipe administrativa é voluntária.

A missão do Banco é implementar projetos empreendedores capazes da geração de emprego e renda através de sistemas de economia solidária, primariamente focada na superação da pobreza urbana e rural. O objetivo é garantir microcréditos para produção e consumo local, com taxas de juros mínimos e sem requisitos para inscrição, comprovante de renda, ou fiador (a confiabilidade do tomador é garantida pelos próprios vizinhos e seu histórico junto à comunidade e não por papeis). A missão também é fornecer acesso a serviços bancários para os moradores das comunidades mais pobres, que normalmente não teriam acesso a eles nos bancos tradicionais, com base na falta de histórico de crédito ou de garantia financeira e/ou distância física.

Circula como meio de pagamento do Banco Palmas, a Moeda Social local em circulação desde 1998, também chamada de “moeda local” ou “moeda social”, é uma moeda complementar ao Real Nacional, a qual e criada e Impressas por cada banco comunitário.

Os bancos oferecem empréstimos em quantidades pequenas em reais e também na moeda local, que circula somente dentro do bairro. (A moeda social do Banco Palmas é o “Palma”, por exemplo. Cada comunidade tem as próprias moedas com os próprios nomes.) Uma unidade de moeda local é igual a um real, e ambas as moedas podem ser trocadas livremente a qualquer hora. Incentivos locais para comerciantes e consumidores existem para usar a moeda local (por exemplo, a oferta dos descontos aos usuários.)

A moeda social local de Ipiaú, poderia ser o Rio Novo, por exemplo, onde seria inicialmente utilizada para fomentar inicialmente a geração de emprego e renda no campo, via agricultura familiar, com o pagamento do fornecimento de insumos para a merenda escolar de Ipiaú. O banco Social, adianta o credito, com o dinheiro em moeda social, a prefeitura garante a compra da produção… e para se dar motivos de circulação e aceitação, a própria prefeitura poderia aceitar a moeda social nos pagamentos de impostos e taxas municipais, em moeda social local, o Rio Novo.

A moeda social tem por finalidade ser o próprio “dinheiro” alternativo em circulação na comunidade, ampliando o poder do comércio local, aumentando a produção e enriquecimento da comunidade, gerando emprego e renda a todos.

A moeda social, portanto, torna-se um componente essencial na estratégia do banco comunitário. Os créditos podem ajudar no crescimento econômico do distrito ou região monetária, através da geração e circulação da riqueza. As moedas locais garantem desenvolvimento, propiciando a produção local e consequentemente que os bens produzidos circulem e/ou sejam consumidos na própria, e pela própria comunidade.

No caso concreto de Ipiaú, uma forma da prefeitura emprestar credibilidade a Moeda e ao Banco, seria, a aceitação deste meio de pagamento para quitação de impostos municipais, os quais poderiam ser devolvido ao mercado nos pagamentos da aquisição dos produtos agrícolas utilizados na merenda escolar, por exemplo.

Depois de começar a ser aceita e bem gerida, a adesão do comércio local a nova moeda, seria um processo tranquilo, principalmente ao meio a toda esta crise econômica e de baixa da lavoura cacaueira. (vide exemplo, a aceitação dos tíquetes Vale Alimentação da prefeitura, usado como moeda antes que haja a troca por Real).

Como anunciado, numa casa onde moram dez e ninguém trabalha, todos passarão fome e nenhum terá razão!

Se Ipiaú enfim, reagir no presente e tomar iniciativas empreendedoras dotadas de Inteligência Coletiva e Justiça Social, em 2033 (logo ali), poderá lograr excelentes frutos. Caso contrário, é continuar sentado, chorando, lamentando, esperneando sobre as fezes, esperando pelo Apocalipse.

Conforme instrução e formato da coluna, segue abaixo o vídeo sugerido para melhor compreensão do tema:

Cristiano Almeida – é natural de Ipiaú, Contador pela UFBA, e entusiasta da Economia Solidária.